EndodirectEducação médica em endocrinologia

Síndrome do eutireóideo doente

Tireoide2019–2020

Fonte: Langouche, Jacobs & Van den Berghe (J Endocr Soc) e Fliers & Boelen (J Endocrinol Invest)

Definição

A síndrome do eutireóideo doente (também chamada de síndrome do doente eutireoidiano, síndrome do T3 baixo, síndrome do doente eutireóideo ou, de forma mais precisa, síndrome do doente não tireoidianonon-thyroidal illness syndrome, NTIS) é o conjunto de alterações dos hormônios tireoidianos séricos que ocorre em praticamente qualquer doença grave, sem doença intrínseca da tireoide. O achado central é a redução do T3 sérico sem elevação compensatória do TSH, acompanhada de aumento do T3 reverso (rT3) e T4 inicialmente normal-baixo. A designação NTIS é preferida por não presumir o estado metabólico do paciente, que em geral se mantém clinicamente eutireoidiano.

Fisiopatologia

Padrões laboratoriais por gravidade/fase

Diagnóstico diferencial

Quando NÃO dosar e conduta

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • A NTIS (síndrome do eutireóideo doente) caracteriza-se por T3 baixo, rT3 elevado e T4 normal-baixo SEM elevação compensatória do TSH, em paciente clinicamente eutireoidiano.
  • A fase aguda decorre de alteração periférica: aumento da desiodase D3 e queda da D1, reduzindo a conversão de T4 em T3 e elevando o rT3.
  • A gravidade da doença correlaciona-se com a magnitude das alterações: T4 baixo e TSH baixo indicam pior prognóstico.
  • Na fase prolongada há supressão central (queda do TRH hipotalâmico e do TSH), possivelmente maladaptativa, ao contrário da adaptação periférica aguda.
  • A relação T3/rT3 e o rT3 são marcadores prognósticos em pacientes críticos.
  • A recuperação é anunciada por elevação do TSH (às vezes acima do normal) que precede a normalização de T4 e T3.
  • A ausência de TSH elevado NÃO exclui hipotireoidismo verdadeiro no doente crítico; TSH francamente alto com T4 baixo sugere hipotireoidismo primário.
  • Não se deve dosar rotineiramente a função tireoidiana no doente agudo nem repor hormônio tireoidiano na NTIS; manter levotiroxina apenas em quem já tinha hipotireoidismo.
  • Jejum/restrição nutricional agrava a NTIS periférica, mas não alimentar precocemente reduziu complicações em RCTs, reforçando o caráter adaptativo da queda aguda do T3.

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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