Síndrome de Turner
Endocrinologia Pediátrica2023–2024
Definição e cariótipo
- A síndrome de Turner resulta da ausência total ou parcial do 2º cromossomo X em indivíduo de fenótipo feminino.
- Cariótipos: 45,X clássico; mosaicos (45,X/46,XX); isocromossomo do braço longo; e cromossomo em anel.
- Diagnóstico: cariótipo (com análise adicional quando há suspeita de mosaicismo).
Manifestações clínicas
- Baixa estatura: é a manifestação mais frequente e muitas vezes o primeiro sinal, decorrente em parte da haploinsuficiência do gene SHOX.
- Disgenesia gonadal → falência ovariana, infantilismo sexual (ausência ou parada do desenvolvimento puberal) e infertilidade.
- Dismorfias: pescoço alado, tórax em escudo com mamilos afastados, cúbito valgo, baixa implantação de cabelo e orelhas, linfedema neonatal de mãos e pés e unhas displásicas.
Comorbidades
- Cardiovasculares (maior causa de mortalidade): válvula aórtica bicúspide, coarctação da aorta e dilatação/dissecção da aorta, exigindo vigilância com imagem ao longo da vida.
- Auditivas: otites de repetição e perda auditiva (condutiva e neurossensorial).
- Autoimunes/metabólicas: tireoidite de Hashimoto, doença celíaca, diabetes mellitus e dislipidemia.
- Renais: malformações como o rim em ferradura; hipertensão arterial.
- Ósseas: risco aumentado de osteoporose, relacionado ao hipoestrogenismo.
Tratamento
- Hormônio do crescimento (GH) para melhorar a estatura — iniciar precocemente; oxandrolona pode ser associada em casos selecionados.
- Indução puberal com estrogênio, em geral por volta dos 11–12 anos, em doses crescentes, com adição de progestagênio após alguns anos, seguida de manutenção.
- Vigilância cardiovascular com imagem (ecocardiograma/RM), importante também no planejamento da gestação (risco de dissecção).
- Vigilância auditiva, tireoidiana, metabólica e óssea ao longo da vida; transição estruturada para o cuidado adulto.
- Fertilidade: geralmente por doação de oócitos (gravidez espontânea é rara); em casos selecionados discute-se preservação de fertilidade. A gestação é de alto risco e exige avaliação cardiológica prévia pelo risco de dissecção aórtica.
- A abordagem é multidisciplinar (endocrinologia, cardiologia, ginecologia, otorrinolaringologia, psicologia), com transição estruturada da pediatria para o cuidado adulto.
Pontos-Chave
- Turner = ausência total ou parcial do 2º X em fenótipo feminino; 45,X é o clássico.
- Baixa estatura e disgenesia gonadal são marcas centrais.
- Diagnóstico por cariótipo.
- Doença cardiovascular (bicúspide, coarctação, dissecção aórtica) é a maior causa de mortalidade.
- Tratar com GH para estatura e estrogênio (11–12 anos) para indução puberal.
- Seguimento multidisciplinar vitalício; fertilidade por doação de oócitos.
Pontos-chave
- Turner: ausência total ou parcial do 2º cromossomo X em fenótipo feminino.
- Cariótipos: 45,X clássico, mosaicos, isocromossomo e cromossomo em anel.
- Baixa estatura é a manifestação mais frequente.
- Disgenesia gonadal → falência ovariana, infantilismo sexual e infertilidade.
- Doença cardiovascular (bicúspide, coarctação, dissecção da aorta) é a maior causa de mortalidade.
- Comorbidades: Hashimoto, doença celíaca, DM, rim em ferradura, perda auditiva, HAS.
- Diagnóstico por cariótipo.
- GH para estatura e estrogênio (11–12 anos, doses crescentes) para indução puberal.
- Seguimento multidisciplinar vitalício; fertilidade geralmente por doação de oócitos.
Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.