EndodirectEducação médica em endocrinologia

Síndrome de dumping (pós-cirurgia bariátrica/gástrica)

Obesidade2020

Fonte: Consenso internacional

Contexto e definição

A síndrome de dumping é uma complicação comum, porém subdiagnosticada da cirurgia gástrica, esofágica e bariátrica (metabólica). Essas intervenções alteram a anatomia e a inervação gástrica, permitindo que grande quantidade de alimento não digerido chegue ao intestino delgado de forma rápida. O consenso internacional (processo Delphi com 18 especialistas, critérios GRADE, 33 de 62 afirmações com consenso >80%) destaca a passagem acelerada de nutrientes, a redução da capacidade de reservatório gástrico e a liberação de GLP-1 como pilares fisiopatológicos.

Dumping precoce (< 1 hora)

Surge na primeira hora após a refeição. A hiperosmolaridade do bolo alimentar provoca deslocamento de fluido do plasma para o lúmen intestinal, além de liberação de peptídeos gastrointestinais e ativação autonômica.

Dumping tardio (1-3 horas)

Ocorre 1 a 3 horas após a refeição e resulta de hipoglicemia hiperinsulinêmica reativa, dirigida por resposta incretínica exagerada (GLP-1): o pico glicêmico desencadeia hiperinsulinemia desproporcional, seguida de hipoglicemia.

Diagnóstico

Tratamento escalonado

  1. Modificação dietética (base): refeições pequenas e frequentes, evitar açúcares simples/carboidratos de absorção rápida, separar líquidos dos sólidos, aumentar fibras e proteínas; suplementos que aumentam a viscosidade (goma guar, pectina, glucomanana) podem ser considerados.
  2. Acarbose (inibidor da alfa-glicosidase): eficaz especificamente no dumping tardio, reduzindo a hipoglicemia.
  3. Análogos de somatostatina (octreotida/lanreotida, formulações curta e longa): preferidos nos refratários à dieta e acarbose; retardam esvaziamento e liberação de insulina/peptídeos.
  4. Casos graves refratários: diazóxido, agir sobre o eixo GLP-1, nutrição enteral contínua (jejunostomia/gastrostomia), gastrostomia no estômago remanescente e, em último caso, revisão/reversão cirúrgica.

O diagnóstico diferencial inclui a hipoglicemia hiperinsulinêmica pós-bypass/nesidioblastose, com neuroglicopenia refratária que pode exigir pancreatectomia parcial.

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • A síndrome de dumping é complicação comum e subdiagnosticada após cirurgia gástrica, esofágica e bariátrica; a cirurgia bariátrica é hoje a principal causa pós-operatória.
  • Ocorre em até 40% dos pacientes após bypass gástrico em Y-de-Roux ou sleeve e em até 50% após esofagectomia.
  • A fisiopatologia envolve passagem rápida de nutrientes ao delgado, menor capacidade de reservatório gástrico e liberação exagerada de GLP-1.
  • Dumping precoce (<1h): sintomas gastrointestinais (dor, diarreia, borborigmo, náusea) e vasomotores (rubor, taquicardia, hipotensão) por deslocamento osmótico de fluido do plasma para o lúmen intestinal.
  • Dumping tardio (1-3h): hipoglicemia hiperinsulinêmica reativa, com sintomas neuroglicopênicos e autonômicos.
  • O TOTG modificado é o teste diagnóstico útil; o teste de esvaziamento gástrico NÃO é recomendado para diagnóstico.
  • Critérios diagnósticos aos 30 min do TOTG: hematócrito >3% ou FC >10 bpm (precoce) e nadir glicêmico <50 mg/dL (tardio); escores de Sigstad e Arts auxiliam.
  • Tratamento escalonado: dieta (1º passo) → acarbose para o dumping tardio → análogos de somatostatina nos refratários → diazóxido, nutrição enteral contínua ou revisão cirúrgica em casos graves.
  • Diferencial importante: hipoglicemia hiperinsulinêmica pós-bypass / nesidioblastose, que pode exigir pancreatectomia.

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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