EndodirectEducação médica em endocrinologia

Síndrome de Cushing — diagnóstico e tratamento

Adrenal

Fonte: Endocrine Society (2008) / Pituitary Society (2025)

Contexto e Quadro Clínico

A síndrome de Cushing decorre do excesso crônico de cortisol. A causa exógena (glicocorticoide iatrogênico) é a mais comum e deve ser sempre afastada pela anamnese. Suspeitar diante de estigmas específicos: estrias violáceas largas (> 1 cm), fraqueza muscular proximal, pletora facial, equimoses fáceis e fragilidade cutânea; e estigmas menos específicos: obesidade central, giba dorsal, face em lua cheia, ganho de peso. Investigar também diante de diabetes/HAS de difícil controle, osteoporose/fraturas precoces, hipocalemia, incidentaloma adrenal ou aparência que progride ao longo de fotos. Diretriz de referência: Endocrine Society (JCEM, 2008).

Passo 1 — Confirmar o Hipercortisolismo

Confirmar com ≥ 2 testes de rastreio alterados (nenhum é perfeito isoladamente):

Excluir Pseudo-Cushing

Afastar hipercortisolismo leve por álcool, depressão maior, obesidade grave, DM descontrolado, estresse crônico ou síndrome do ovário policístico, que mimetizam a síndrome. Em casos difíceis, testes como dexametasona-CRH ou cortisol na madrugada ajudam a distinguir.

Passo 2 — Definir a Origem (ACTH)

Após confirmar o hipercortisolismo, dosar o ACTH plasmático:

Diferenciar Doença de Cushing de Ectópico

Nos casos ACTH-dependentes:

Fluxo Diagnóstico Resumido

Secreção autônoma leve de cortisol (MACS)

O termo MACS (mild autonomous cortisol secretion) — antes "Cushing subclínico" — descreve o hipercortisolismo sem os estigmas clássicos, tipicamente em incidentaloma adrenal com cortisol pós-dexametasona 1 mg > 1,8 µg/dL (ESE/ENSAT 2023 — corte único, sem a faixa antiga 1,9–5,0) e ACTH baixo/suprimido. Associa-se a HAS, DM2, obesidade, dislipidemia, osteoporose e maior risco cardiovascular; individualizar a decisão de tratar (adrenalectomia) conforme as comorbidades atribuíveis.

Tratamento

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • Suspeitar por estigmas específicos: estrias violáceas largas, fraqueza proximal, pletora, equimoses
  • Passo 1: confirmar hipercortisolismo com ≥2 testes de rastreio alterados
  • Testes de rastreio: cortisol salivar noturno, cortisol livre urinário 24h, supressão com 1 mg de dexametasona
  • Cortisol pós-dexametasona 1 mg > 1,8 µg/dL indica supressão inadequada
  • Excluir pseudo-Cushing (álcool, depressão, obesidade, DM descontrolado)
  • Passo 2: dosar ACTH — suprimido = adrenal (ACTH-independente); normal/alto = ACTH-dependente
  • ACTH-independente → TC de adrenais; ACTH-dependente → RM de hipófise
  • Diferenciar doença de Cushing de ectópico: altas doses de dexametasona ± cateterismo do seio petroso inferior
  • MACS (secreção autônoma leve de cortisol, ex-'Cushing subclínico'): cortisol pós-dexa > 1,8 µg/dL (corte único, ESE 2023) sem estigmas — individualizar tratar conforme comorbidades
  • Tratamento: 1ª linha cirúrgica; medicamentoso com inibidores da esteroidogênese (osilodrostate/metirapona/cetoconazol), pasireotida/cabergolina ou mifepristona (hiperglicemia)
  • Hipercortisolismo é pró-trombótico: considerar tromboprofilaxia ao diagnóstico e por ~3 meses após a remissão

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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