Retinopatia / doença retiniana diabética
Conceito e importância
A retinopatia diabética é a principal causa de cegueira em adultos em idade produtiva. O conceito atual de doença retiniana diabética amplia a visão clássica: o diabetes afeta também neurônios e glia da retina (neurodegeneração), e não apenas os microvasos.
Classificação
- Retinopatia diabética não proliferativa (RDNP): leve, moderada ou grave, com microaneurismas, hemorragias, exsudatos e alterações venosas.
- Retinopatia diabética proliferativa (RDP): surgimento de neovasos, com risco de hemorragia vítrea e descolamento tracional de retina.
- Edema macular diabético (EMD): pode ocorrer em qualquer estágio e é a principal causa de baixa acuidade visual. O envolvimento central é o mais relevante para a visão.
Rastreamento
- Método: fundoscopia sob midríase (pupila dilatada) ou retinografia/foto de fundo, inclusive com apoio de inteligência artificial.
- DM2: rastrear ao diagnóstico (a hiperglicemia costuma preceder o diagnóstico).
- DM1: rastrear em 5 anos após o diagnóstico.
- Após o exame inicial: anual; pode ser a cada 1–2 anos se sem retinopatia e bom controle glicêmico.
- Gestação: rastrear no 1º trimestre e acompanhar ao longo da gravidez (a retinopatia pode progredir).
Alerta: piora transitória
A melhora rápida da glicemia pode causar piora transitória da retinopatia (por exemplo, ao iniciar AR GLP-1 ou bomba de insulina). Isso não contraindica a otimização glicêmica, mas exige monitorização oftalmológica em pacientes com retinopatia significativa.
Tratamento
- Controle metabólico: otimizar glicemia, pressão arterial e lípides retarda e reduz a progressão.
- EMD com envolvimento central e RDP: anti-VEGF intravítreo, hoje 1ª linha em muitos casos de EMD.
- Fotocoagulação panretiniana a laser: indicada na RDP e em casos selecionados.
- Corticoide intravítreo: em casos selecionados (ex.: resposta insuficiente a anti-VEGF, olho pseudofácico).
- Vitrectomia: para complicações como hemorragia vítrea persistente e descolamento tracional de retina.
O acompanhamento oftalmológico deve ser individualizado pela gravidade: quanto maior o estágio, mais frequente a reavaliação, sempre integrada ao controle sistêmico do diabetes.
Pontos-Chave
- É a principal causa de cegueira em adultos em idade produtiva.
- O conceito de doença retiniana diabética inclui neurodegeneração, não só microvasos.
- Espectro: RDNP leve/moderada/grave → RDP; EMD pode surgir em qualquer estágio.
- Rastrear no DM2 ao diagnóstico e no DM1 em 5 anos; depois anual (ou 1–2 anos se bom controle).
- Na gestação, rastrear no 1º trimestre e acompanhar.
- Queda rápida da glicemia pode piorar transitoriamente a retinopatia; monitorar, sem contraindicar.
- Anti-VEGF intravítreo é 1ª linha em muitos EMD; laser e vitrectomia conforme a indicação.
Pontos-chave
- Retinopatia diabética é a principal causa de cegueira em adultos em idade produtiva.
- Conceito de doença retiniana diabética inclui dano a neurônios e glia, não só microvasos.
- Espectro: RDNP leve/moderada/grave evolui para RDP com neovasos.
- Edema macular diabético pode surgir em qualquer estágio e é a maior causa de baixa visual.
- Rastrear no DM2 ao diagnóstico e no DM1 em 5 anos; depois anual (1–2 anos se bom controle).
- Na gestação, rastrear no 1º trimestre e acompanhar a evolução.
- Queda rápida da glicemia (AR GLP-1, bomba) pode piorar transitoriamente; monitorar sem contraindicar.
- Anti-VEGF intravítreo é 1ª linha em muitos EMD; laser panretiniano na RDP.
- Otimizar glicemia, PA e lípides retarda e reduz a progressão.
Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.