Pé diabético — prevenção e manejo
Diabetes2023
Fisiopatologia
O pé diabético resulta da combinação de neuropatia periférica (perda da sensibilidade protetora, PSP), doença arterial periférica (DAP) e deformidades. Essa tríade favorece a formação de úlcera, que pode evoluir para infecção e amputação. A prevenção da amputação começa por identificar o pé em risco.
Rastreamento
- Perda da sensibilidade protetora (PSP): monofilamento de 10 g (Semmes-Weinstein) associado a pelo menos 1 de: diapasão de 128 Hz, pinprick (sensibilidade dolorosa), reflexo aquileu ou bioestesiômetro.
- DAP: palpação de pulsos (pedioso e tibial posterior) e índice tornozelo-braço (ITB).
- Estratificação de risco IWGDF define a frequência do rastreio:
- Grau 0 (sem PSP nem DAP): rastreio anual.
- Grau 1 (PSP ou DAP): a cada 6–12 meses.
- Grau 2 (PSP + DAP, ou PSP/DAP + deformidade): a cada 3–6 meses.
- Grau 3 (PSP/DAP + úlcera ou amputação prévia, ou DRC dialítica): a cada 1–3 meses.
Prevenção
- Educação do paciente e da família; autoexame diário dos pés.
- Calçado adequado e palmilhas para redistribuir pressão.
- Cuidado das unhas e da pele; tratar pré-úlceras (calos, hiperceratose).
- Nunca andar descalço; inspecionar o calçado antes de usar.
Úlcera, infecção e osteomielite
- Classificar a úlcera com escores como SINBAD ou WIfI.
- Infecção (IWGDF/IDSA): gravidade leve / moderada / grave. Sinais sistêmicos definem gravidade.
- Osteomielite: teste sondar o osso (probe-to-bone) positivo e ressonância magnética; antibiótico guiado por cultura (idealmente de tecido profundo).
- Não tratar colonização: ferida sem sinais clínicos de infecção não recebe antibiótico.
Offloading e revascularização
- Offloading: bota de contato total (total contact cast) é o padrão-ouro para úlcera plantar neuropática.
- Avaliar perfusão e revascularizar quando há isquemia (componente de DAP).
- Abordagem multidisciplinar (time de pé diabético) reduz amputações e recorrências de úlcera.
- Controle glicêmico e dos fatores de risco cardiovascular (tabagismo, HAS, dislipidemia) é essencial, pois a DAP compartilha os mesmos determinantes.
Pontos-Chave
- O pé diabético nasce da tríade neuropatia + DAP + deformidade.
- Rastrear PSP com monofilamento de 10 g + 1 teste adicional; avaliar DAP com pulsos e ITB.
- A estratificação IWGDF (0 a 3) define a frequência do rastreio (anual a 1–3 meses).
- Prevenção: educação, autoexame diário, calçado adequado e cuidado das pré-úlceras.
- Bota de contato total é o padrão-ouro no offloading da úlcera plantar neuropática.
- Não tratar colonização; antibiótico guiado por cultura na infecção; investigar osteomielite.
- O time multidisciplinar reduz amputações.
Pontos-chave
- Tríade fisiopatológica: neuropatia (PSP) + doença arterial periférica + deformidade.
- Rastrear PSP com monofilamento de 10 g + ao menos 1 teste (diapasão, pinprick, aquileu).
- Avaliar DAP com palpação de pulsos e índice tornozelo-braço (ITB).
- Estratificação IWGDF de 0 a 3 define a frequência do rastreio (anual a 1–3 meses).
- Prevenção: educação, autoexame diário, calçado/palmilha e tratar pré-úlceras.
- Classificar úlceras por SINBAD ou WIfI; graduar infecção como leve/moderada/grave.
- Bota de contato total é o padrão-ouro no offloading da úlcera plantar neuropática.
- Não tratar colonização; antibiótico guiado por cultura; investigar osteomielite (probe-to-bone/RM).
- Equipe multidisciplinar e revascularização da isquemia reduzem amputações.
Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.