Neoplasia endócrina múltipla tipo 1 (NEM1)
Neuroendocrinologia2025
Definição e genética
- A NEM1 é uma síndrome autossômica dominante causada por mutação germinativa no gene MEN1, que codifica a menina, uma proteína supressora de tumor.
- Caracteriza-se por tumores em múltiplas glândulas endócrinas, resumidos na regra dos "3 P": Paratireoide, Pâncreas/duodeno e Pituitária (hipófise).
Manifestações principais (os "3 P")
- Paratireoide: o hiperparatireoidismo primário é a manifestação mais comum e mais precoce, com hipercalcemia e acometimento tipicamente multiglandular (hiperplasia de várias glândulas), o que explica a alta taxa de recidiva após cirurgias limitadas.
- Pâncreas/duodeno (tumores neuroendócrinos): gastrinoma (síndrome de Zollinger-Ellison, muitas vezes duodenais e múltiplos), insulinoma e tumores não funcionantes. Os TNE duodenopancreáticos são importante causa de morbimortalidade por potencial maligno.
- Pituitária: adenoma hipofisário, sendo o prolactinoma o mais comum; podem ocorrer também somatotropinomas e não funcionantes.
Outras manifestações
- Tumores adrenais (geralmente não funcionantes).
- Carcinoides: tímico (pior prognóstico em homens tabagistas), brônquico e gástrico tipo 2.
- Lipomas e angiofibromas cutâneos.
Rastreamento e vigilância
- Teste genético do probando e dos parentes de 1º grau.
- Portadores realizam vigilância bioquímica: cálcio e PTH, gastrina, prolactina, IGF-1, glicose/insulina e cromogranina A.
- Imagem periódica: RM de hipófise e RM de abdome/pâncreas (imagem também para carcinoides torácicos).
Tratamento
- Hiperparatireoidismo: paratireoidectomia subtotal (3–3,5 glândulas) ou total com autoimplante, associada à timectomia transcervical (prevenção do carcinoide tímico).
- TNE pancreático: conduta conforme tamanho, tipo e funcionalidade (observação, cirurgia ou terapia dirigida).
- Prolactinoma: agonista dopaminérgico (cabergolina).
Diagnóstico diferencial
- Diferenciar da NEM2 (mutação do gene RET): carcinoma medular de tireoide + feocromocitoma + hiperparatireoidismo.
- A presença de carcinoma medular de tireoide e feocromocitoma aponta para NEM2, não para NEM1; já gastrinoma, prolactinoma e hiperparatireoidismo multiglandular sugerem NEM1.
- O rastreamento familiar e o aconselhamento genético são fundamentais em ambas as síndromes.
Pontos-Chave
- NEM1 é autossômica dominante, por mutação germinativa no gene MEN1 (menina, supressor tumoral).
- Regra dos 3 P: paratireoide, pâncreas/duodeno e pituitária.
- Hiperparatireoidismo primário é a manifestação mais comum e mais precoce.
- Gastrinoma (Zollinger-Ellison) e prolactinoma são TNE característicos.
- Cirurgia da paratireoide: subtotal (3–3,5 glândulas) + timectomia transcervical.
- NEM2 = RET: carcinoma medular de tireoide + feocromocitoma + hiperparatireoidismo.
Pontos-chave
- NEM1: síndrome autossômica dominante por mutação germinativa no gene MEN1 (menina, supressor tumoral).
- Regra dos 3 P: paratireoide, pâncreas/duodeno e pituitária.
- Hiperparatireoidismo primário é a manifestação mais comum e mais precoce (multiglandular).
- TNE: gastrinoma (Zollinger-Ellison, duodenais/múltiplos), insulinoma e não funcionantes.
- Prolactinoma é o adenoma hipofisário mais comum na NEM1.
- Também: adrenais, carcinoides (tímico, brônquico, gástrico), lipomas e angiofibromas.
- Rastreio: teste genético do probando e parentes de 1º grau + vigilância bioquímica e por imagem.
- Cirurgia da paratireoide: subtotal (3–3,5 glândulas) + timectomia transcervical.
- NEM2 (RET): carcinoma medular de tireoide + feocromocitoma + hiperparatireoidismo.
Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.