LADA (diabetes autoimune latente do adulto)
Definição e conceito
O LADA (diabetes autoimune latente do adulto) é uma forma de diabetes autoimune de início na idade adulta, caracterizada por um processo autoimune menos intenso e por progressão lenta para a insulinodependência — por isso é chamada de "diabetes tipo 1.5".
- Compartilha características tanto do DM1 quanto do DM2 e representa cerca de 2% a 12% de todos os casos de diabetes em adultos, sendo a forma mais comum de diabetes autoimune do adulto.
- Como o paciente é inicialmente independente de insulina e só é reconhecido pela dosagem de autoanticorpos, o LADA é frequentemente mal diagnosticado como DM2 (3% a 12% dos rotulados como DM2 têm autoanticorpos).
Critérios diagnósticos (Immunology of Diabetes Society)
São três os critérios clássicos:
- Idade de início ≥ 30 anos (idade adulta).
- Positividade para autoanticorpos das ilhotas — o anti-GAD (GADA) é o mais sensível e o mais usado na prática; a positividade define o LADA independentemente de título, número ou especificidade.
- Ausência de necessidade de insulina nos primeiros 6 meses após o diagnóstico.
Fenótipo intermediário (entre DM1 e DM2)
O LADA ocupa uma posição intermediária no espectro do diabetes:
- Comparado ao DM2 típico: menor IMC (frequentemente < 25 kg/m²), menor prevalência de síndrome metabólica e menor C-peptídeo.
- Comparado ao DM1 clássico: destruição autoimune mais lenta, com C-peptídeo ainda detectável (embora reduzido) e período prolongado sem insulina.
O título de GADA importa
O título do anti-GAD ajuda a estratificar o risco e o comportamento clínico:
- Título ALTO → fenótipo mais próximo do DM1, com falência de célula beta e progressão à insulina mais rápidas (dado sustentado por seguimentos prospectivos, ex.: NIRAD).
- Título baixo → fenótipo mais parecido com o DM2, com maior componente de resistência insulínica.
Quando rastrear (dosar GADA) em adulto rotulado como DM2
Idealmente, o rastreamento de autoanticorpos deveria ser feito em todo DM2 recém-diagnosticado; na prática, priorizam-se os sinais de alerta:
- Início em idade mais jovem e IMC baixo ou normal.
- Mau controle glicêmico apesar de antidiabéticos orais.
- História pessoal ou familiar de autoimunidade.
- Necessidade precoce de insulina.
Manejo
O objetivo é preservar a função da célula beta e controlar a glicemia, individualizando:
- EVITAR SULFONILUREIAS: estimulam a célula beta e podem acelerar sua exaustão, exacerbando o processo autoimune; a insulina preserva melhor o C-peptídeo e o controle metabólico.
- Insulina precoce: considerar sobretudo em quem tem GADA de título alto e C-peptídeo baixo.
- Reserva beta preservada: quando ainda há reserva, usar agentes que preservam a célula beta / com benefício metabólico — metformina, inibidores da DPP-4, agonistas do receptor de GLP-1 e inibidores do SGLT2 — conforme o perfil clínico.
- Rastreamento associado: pesquisar outras doenças autoimunes (tireoide, doença celíaca) e monitorar as complicações do diabetes.
Pontos-Chave
Pontos-chave
- LADA é diabetes autoimune de início na idade adulta com progressão LENTA à insulinodependência ("diabetes tipo 1.5"), frequentemente mal diagnosticado como DM2.
- Critérios da Immunology of Diabetes Society: idade ≥ 30 anos, autoanticorpos das ilhotas positivos e ausência de necessidade de insulina nos primeiros 6 meses.
- O anti-GAD (GADA) é o autoanticorpo mais sensível e o mais usado para o diagnóstico.
- Fenótipo intermediário entre DM1 e DM2: menor IMC, menor síndrome metabólica e menor C-peptídeo que o DM2; destruição autoimune mais lenta que no DM1 clássico.
- Título ALTO de GADA aproxima do DM1, com falência beta e progressão à insulina mais rápidas; título baixo aproxima do DM2.
- Rastrear GADA em adulto rotulado como DM2 quando: início jovem, IMC baixo/normal, mau controle apesar de orais, autoimunidade pessoal/familiar ou necessidade precoce de insulina.
- EVITAR sulfonilureias: podem acelerar a exaustão da célula beta e exacerbar a autoimunidade.
- Considerar insulina precoce sobretudo com GADA de título alto e C-peptídeo baixo; individualizar sempre.
- Rastrear outras doenças autoimunes (tireoide, celíaca) e as complicações do diabetes; em quem tem reserva beta, metformina, DPP-4, AR GLP-1 e iSGLT2 conforme o perfil.
Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.