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Insuficiência ovariana prematura (POI)

Endocrinologia Feminina2024

Fonte: ESHRE

Definição e diagnóstico

A insuficiência ovariana prematura (POI) é a perda da função ovariana antes dos 40 anos, caracterizada por hipogonadismo hipergonadotrófico. O diagnóstico exige a combinação de:

Pela ESHRE 2024, o diagnóstico exige FSH > 25 IU/L confirmado em duas ocasiões com intervalo de ≥ 4 semanas; a AMH (tipicamente muito baixa/indetectável) pode apoiar, mas não substitui o FSH. A prevalência estimada é de cerca de 1 a 3,5%. A POI não deve ser confundida com a menopausa fisiológica: a função ovariana pode ser flutuante e intermitente, o que explica a possibilidade de ovulação e gravidez espontâneas mesmo após o diagnóstico.

Etiologia

Investigação

Diante do diagnóstico, recomenda-se:

Consequências da hipoestrogenemia

A deficiência estrogênica precoce e prolongada acarreta:

Tratamento

O tratamento de escolha é a terapia hormonal (TH)estrogênio + progestagênio quando o útero está presente — mantida até a idade habitual da menopausa (cerca de 50–51 anos). As doses de estrogênio costumam ser maiores do que as usadas na menopausa fisiológica, para reposição adequada em mulheres jovens.

A TH não garante contracepção: pode ocorrer gravidez espontânea (rara, ~5%), de modo que quem não deseja gestar precisa de método contraceptivo. Para desejo reprodutivo, a doação de oócitos é a via mais eficaz de obter gravidez.

O cuidado inclui ainda apoio psicológico — o diagnóstico costuma ter forte impacto emocional e reprodutivo —, além de rastrear e tratar osso, tireoide e adrenal ao longo do seguimento. A TH nessas mulheres jovens tem papel não apenas sintomático, mas também de proteção óssea e cardiovascular a longo prazo.

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • POI: perda da função ovariana antes dos 40 anos.
  • Diagnóstico: oligo/amenorreia ≥4 meses + FSH >25 IU/L em 2 ocasiões (intervalo ≥4 semanas)
  • ESHRE 2024: confirmar com FSH >25 IU/L em 2 ocasiões (≥4 semanas de intervalo); a AMH apoia, mas não substitui
  • Causas: idiopática, genética (Turner, FMR1), autoimune e iatrogênica.
  • Investigar cariótipo, FMR1, anti-21-hidroxilase e antitireoidianos + densitometria.
  • Hipoestrogenemia leva a osteoporose, risco cardiovascular e maior mortalidade.
  • TH (estrogênio + progestagênio se útero) até ~50–51 anos, em doses maiores.
  • TH não garante contracepção; gravidez espontânea rara (~5%).
  • Fertilidade: doação de oócitos é a via mais eficaz.

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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