Insuficiência ovariana prematura (POI)
Definição e diagnóstico
A insuficiência ovariana prematura (POI) é a perda da função ovariana antes dos 40 anos, caracterizada por hipogonadismo hipergonadotrófico. O diagnóstico exige a combinação de:
- Oligo ou amenorreia por pelo menos 4 meses; E
- FSH elevado > 25 IU/L em duas ocasiões (intervalo ≥ 4 semanas).
Pela ESHRE 2024, o diagnóstico exige FSH > 25 IU/L confirmado em duas ocasiões com intervalo de ≥ 4 semanas; a AMH (tipicamente muito baixa/indetectável) pode apoiar, mas não substitui o FSH. A prevalência estimada é de cerca de 1 a 3,5%. A POI não deve ser confundida com a menopausa fisiológica: a função ovariana pode ser flutuante e intermitente, o que explica a possibilidade de ovulação e gravidez espontâneas mesmo após o diagnóstico.
Etiologia
- Idiopática: a causa mais frequente.
- Genética: síndrome de Turner (45,X) e pré-mutação do gene FMR1 (X frágil).
- Autoimune: ooforite autoimune, frequentemente associada a doença de Addison e tireoidite (síndromes poliglandulares autoimunes).
- Iatrogênica: quimioterapia, radioterapia e cirurgia ovariana.
Investigação
Diante do diagnóstico, recomenda-se:
- Cariótipo (rastreio de Turner e outras anomalias);
- FMR1 (pesquisa de pré-mutação);
- Anticorpos anti-21-hidroxilase (autoimunidade adrenal) e antitireoidianos;
- Densitometria óssea para avaliação da massa óssea.
Consequências da hipoestrogenemia
A deficiência estrogênica precoce e prolongada acarreta:
- Sintomas vasomotores e síndrome geniturinária (SGM);
- Osteoporose e aumento do risco de fraturas;
- Aumento do risco cardiovascular;
- Impacto sobre a cognição e maior mortalidade global.
Tratamento
O tratamento de escolha é a terapia hormonal (TH) — estrogênio + progestagênio quando o útero está presente — mantida até a idade habitual da menopausa (cerca de 50–51 anos). As doses de estrogênio costumam ser maiores do que as usadas na menopausa fisiológica, para reposição adequada em mulheres jovens.
A TH não garante contracepção: pode ocorrer gravidez espontânea (rara, ~5%), de modo que quem não deseja gestar precisa de método contraceptivo. Para desejo reprodutivo, a doação de oócitos é a via mais eficaz de obter gravidez.
O cuidado inclui ainda apoio psicológico — o diagnóstico costuma ter forte impacto emocional e reprodutivo —, além de rastrear e tratar osso, tireoide e adrenal ao longo do seguimento. A TH nessas mulheres jovens tem papel não apenas sintomático, mas também de proteção óssea e cardiovascular a longo prazo.
Pontos-Chave
- POI = perda da função ovariana antes dos 40 anos.
- Critério ESHRE 2024: oligo/amenorreia ≥4 meses + FSH >25 IU/L em 2 ocasiões (≥4 sem).
- Investigar cariótipo, FMR1, anti-21-hidroxilase e antitireoidianos.
- Complicações: osteoporose, risco cardiovascular e maior mortalidade.
- Tratar com TH até ~50–51 anos, em doses maiores que na menopausa.
- TH não garante contracepção; gravidez espontânea rara (~5%).
- Fertilidade: doação de oócitos é a via mais eficaz.
Pontos-chave
- POI: perda da função ovariana antes dos 40 anos.
- Diagnóstico: oligo/amenorreia ≥4 meses + FSH >25 IU/L em 2 ocasiões (intervalo ≥4 semanas)
- ESHRE 2024: confirmar com FSH >25 IU/L em 2 ocasiões (≥4 semanas de intervalo); a AMH apoia, mas não substitui
- Causas: idiopática, genética (Turner, FMR1), autoimune e iatrogênica.
- Investigar cariótipo, FMR1, anti-21-hidroxilase e antitireoidianos + densitometria.
- Hipoestrogenemia leva a osteoporose, risco cardiovascular e maior mortalidade.
- TH (estrogênio + progestagênio se útero) até ~50–51 anos, em doses maiores.
- TH não garante contracepção; gravidez espontânea rara (~5%).
- Fertilidade: doação de oócitos é a via mais eficaz.
Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.