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Hiponatremia e SIADH

Neuroendocrinologia2014

Fonte: European Clinical Practice Guideline on Diagnosis and Treatment of Hyponatraemia (ERBP/ESICM/ESE)

Definição

A hiponatremia é definida por sódio sérico < 135 mmol/L, sendo o distúrbio hidroeletrolítico mais comum na prática clínica. A diretriz europeia propõe classificações complementares:

Etiologia e SIADH

A maioria dos casos decorre de excesso de água livre relativo ao sódio corporal. A SIADH (secreção inapropriada de hormônio antidiurético) é a causa mais frequente de hiponatremia euvolêmica. Os critérios de Bartter-Schwartz incluem: osmolalidade sérica efetiva < 275 mOsm/kg, osmolalidade urinária > 100 mOsm/kg, euvolemia clínica, sódio urinário > 30 mmol/L com dieta normal em sal e água, e ausência de insuficiência adrenal, hipotireoidismo, insuficiência renal ou uso de diuréticos. Causas de SIADH: neoplasias (carcinoma pulmonar de pequenas células), doenças do SNC (AVC, trauma, meningite), doenças pulmonares (pneumonia, tuberculose) e fármacos (ISRS, carbamazepina, antipsicóticos, ciclofosfamida).

Diagnóstico

A abordagem é sequencial:

Deve-se sempre diferenciar SIADH de insuficiência adrenal (cortisol baixo), hipotireoidismo e da síndrome cerebral perdedora de sal — esta cursa com hipovolemia e balanço negativo de sódio, ao contrário da euvolemia da SIADH.

Tratamento

Na hiponatremia com sintomas graves, independentemente de aguda ou crônica, administra-se 150 mL de salina hipertônica a 3% em bólus por 20 minutos, repetível até elevar o sódio em 5 mmol/L na 1ª hora. O alvo imediato é a melhora sintomática, não a normalização.

Seguimento e Pontos Práticos

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • Hiponatremia é sódio sérico < 135 mmol/L, classificada em leve (130–135), moderada (125–129) e profunda (< 125 mmol/L).
  • A investigação segue a sequência osmolalidade sérica → osmolalidade urinária → sódio urinário → avaliação do estado volêmico.
  • Osmolalidade urinária ≤ 100 mOsm/kg indica ingesta hídrica excessiva ou baixa ingesta de solutos; > 100 mOsm/kg indica ação inapropriada do ADH.
  • SIADH é a principal causa de hiponatremia euvolêmica: osmolalidade sérica < 275, osmolalidade urinária > 100, Na urinário > 30 mmol/L e euvolemia (critérios de Bartter-Schwartz).
  • Sempre excluir insuficiência adrenal, hipotireoidismo, uso de diuréticos e síndrome cerebral perdedora de sal (esta é hipovolêmica) antes de firmar SIADH.
  • Na hiponatremia com sintomas graves, o tratamento é bólus de 150 mL de salina hipertônica a 3% em 20 minutos, repetível até elevar o sódio 5 mmol/L na 1ª hora.
  • A correção deve respeitar o limite de ≤ 10 mmol/L nas primeiras 24 h (≤ 8 mmol/L se alto risco) para evitar a síndrome de desmielinização osmótica.
  • No SIADH crônico, a restrição hídrica é a 1ª linha; ureia, diurético de alça com sal e vaptanos são opções de 2ª linha.
  • Em caso de supercorreção, reintroduzir água livre (glicose 5%) e considerar desmopressina para re-baixar o sódio de forma controlada.

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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