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Hipogonadismo masculino — Posicionamento SBEM/SBU/ABEMSS (2026)

Endocrinologia Masculina2026

Fonte: SBEM / SBU / ABEMSS · documento original

O que este documento é

Posicionamento conjunto da SBEM, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da ABEMSS, publicado no Int Braz J Urol 2026;52(3):e20250610. Cobre diagnóstico, investigação etiológica, terapia de reposição de testosterona (TRT) e preservação da fertilidade. O contexto brasileiro que motivou o texto: envelhecimento populacional, obesidade e síndrome metabólica e uso de anabolizantes, que aumentaram a frequência do hipogonadismo funcional.

Rastreamento: perguntar sim, rastrear não

Diagnóstico laboratorial

Classificação e investigação etiológica

Contraindicações à reposição

Absolutas (impedem o tratamento):

Relativas (exigem decisão individualizada e monitorização rigorosa):

Alvo e monitorização

Fertilidade

Hipogonadismo funcional: tratar a causa antes

Reversão é rara no hipogonadismo orgânico, mas o funcional pode se resolver tratando a condição de base. Causas potencialmente reversíveis: hiperprolactinemia, doença renal terminal, opioides, uso prévio de anabolizantes, glicocorticoides, álcool ou cannabis em excesso, doença sistêmica, deficiências nutricionais, exercício excessivo, obesidade, síndrome metabólica e distúrbios do sono. Identificada uma causa reversível, considerar suspensão de teste da TRT para reavaliar o eixo.

📊 Onde cada sociedade coloca o corte de testosterona total

SociedadeCorte inferior de TT
Endocrine Society264 ng/dL
American Urological Association300 ng/dL
EAU, EAA, ISSM~350 ng/dL
Este posicionamento (SBEM/SBU/ABEMSS)< 264 apoia · > 350 exclui · 264–350 exige livre calculada

📊 Tabela 1 — Sinais e sintomas sugestivos de deficiência de testosterona

GrupoSinais e sintomas
Específicos de deficiência de testosteronaDesenvolvimento sexual incompleto ou tardio; perda de pelos corporais (faciais, axilares e pubianos); testículos muito pequenos (< 6 mL)
Sugerem deficiência de testosterona↓ libido e ↓ pensamentos sexuais; disfunção erétil e menos ereções espontâneas (matinais e noturnas); ejaculação retardada, ↓ volume ejaculado e ↓ intensidade do orgasmo; ginecomastia; proporções corporais eunucoides; infertilidade; sintomas vasomotores (ondas de calor, sudorese); enrugamento fino da pele (sobretudo peribucal); perda de estatura, fraturas por baixo trauma e ↓ densidade mineral óssea
Inespecíficos, mas associados↓ energia, humor deprimido, irritabilidade, ↓ motivação; fadiga; alterações cognitivas (concentração e memória); distúrbios do sono e sonolência diurna excessiva; ↓ força muscular e ↓ desempenho físico; ↑ adiposidade (sobretudo visceral); anemia normocrômica e normocítica leve, sem outra explicação

📊 Tabela 2 — Classificação e causas

O documento separa cada nível de falha em orgânico (lesão estabelecida) e funcional (potencialmente reversível com o tratamento da causa).

Hipogonadismo primário (falha testicular)

OrgânicoFuncional
Síndrome de KlinefelterMedicamentos (inibidores da síntese de androgênios)
Criptorquidia, anorquia, distrofia miotônicaDoença renal em estágio terminal\*
Alguns cânceres, quimioterapia, irradiação/dano testicular, orquiectomia
Orquite
Trauma testicular, torção
Idade avançada

Hipogonadismo secundário (falha hipotálamo-hipofisária)

OrgânicoFuncional
Tumor hipotalâmico/hipofisárioHiperprolactinemia
Síndromes de sobrecarga de ferroUso de esteroides anabolizantes, glicocorticoides, opioides
Doença infiltrativa/destrutiva do hipotálamo ou da hipófiseAbuso de álcool e maconha\*
Hipogonadismo hipogonadotrófico idiopáticoDoença sistêmica\*
Deficiência nutricional / exercício excessivo
Obesidade grave e alguns distúrbios do sono
Falência de órgão (fígado, coração e pulmão)\*
Comorbidades associadas ao envelhecimento\*

\* Hipogonadismo combinado (primário e secundário), classificado pelo padrão hormonal que costuma predominar.

📊 Tabela 3 — Ajuste de dose e mudança de estratégia

Situação clínicaAção recomendadaReavaliação
Início da reposiçãoComeçar com a dose padrão da formulação escolhida
Testosterona dentro do alvo (400–700 ng/dL)Manter a dose atualMonitorar anualmente
Testosterona abaixo do alvo e sintomas persistemAumentar a dose gradualmenteEm 6–12 semanas
Testosterona acima do alvoReduzir a dose gradualmenteEm 6–12 semanas
Efeitos adversos relacionados à dose (ex.: eritrocitose leve)Reduzir a dose gradualmenteEm 6–12 semanas
Sintomas persistem apesar da testosterona dentro do alvoReavaliar o diagnóstico, considerar outras causas, discutir a descontinuaçãoDecisão individualizada

> ⚠️ Os dois números do alvo não se contradizem. A Tabela 3 é adaptada de outras diretrizes e trabalha com a faixa 400–700 ng/dL; o texto do posicionamento recomenda mirar a faixa média do normal, 450–600 ng/dL. Na prática: 450–600 é o alvo a perseguir, 400–700 é a janela em que não se mexe na dose.

Como monitorar conforme a formulação

Pontos-chave

  • Diagnóstico exige as DUAS coisas: sintomas/sinais compatíveis + testosterona total baixa confirmada.
  • Coleta pela manhã, entre 7 e 10 h, em jejum noturno. Toda dosagem baixa precisa de 2ª amostra nas mesmas condições, idealmente com 4 semanas de intervalo. Não colher em doença aguda.
  • TT < 264 ng/dL apoia o diagnóstico; TT > 350 ng/dL costuma excluí-lo; entre 264 e 350 ng/dL é zona cinzenta e exige SHBG + albumina para calcular a testosterona livre.
  • Testosterona livre CALCULADA (equação de Vermeulen): corte de 6,5 ng/dL.
  • Contra o rastreamento populacional de rotina (Classe III, Nível A) — mas perguntar sobre sintomas a todos os homens na consulta (Classe I, Nível A).
  • Alvo da reposição: faixa média do normal, entre 450 e 600 ng/dL.
  • Contraindicações absolutas: câncer de mama masculino (atual ou prévio), câncer de próstata ativo ou suspeito sem avaliação urológica, e desejo de fertilidade a curto prazo.
  • Hematócrito basal > 48% é contraindicação relativa; > 54% durante o tratamento, suspender temporariamente até normalizar.
  • Testosterona e hematócrito aos 3, 6 e 12 meses, depois anualmente. PSA no mesmo cronograma.
  • Quem deseja fertilidade não usa testosterona: hCG 1.500–2.000 UI SC 2–3x/semana (alvo de TT 400–700 ng/dL), ± FSH 75–150 UI 2–3x/semana; alternativas: clomifeno e inibidor de aromatase.

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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