EndodirectEducação médica em endocrinologia

Hipercolesterolemia familiar

Lípides2017–2025

Fonte: Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (SBC/Arq Bras Cardiol)

Definição

A hipercolesterolemia familiar (HF) é um distúrbio genético do metabolismo lipídico, de herança autossômica semidominante, caracterizado por elevação acentuada e persistente do LDL-c desde o nascimento devido à redução do clearance da LDL. A exposição cumulativa vitalícia a níveis altos de LDL-c leva a doença arterial coronariana (DAC) precoce. Distingue-se a forma heterozigótica (HeHF) — um alelo mutante, LDL-c habitualmente 190–400 mg/dL — da forma homozigótica (HoHF/HFHo) — dois alelos afetados, LDL-c muito elevado e aterosclerose na primeira infância.

Etiologia e Genética

Quadro Clínico

Diagnóstico

Rastreio e Risco

Tratamento

Seguimento/Pontos práticos

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • A HF é doença autossômica semidominante causada por variantes em LDLR (mais comum), APOB ou PCSK9, com elevação vitalícia do LDL-c e DAC precoce.
  • A forma heterozigótica tem prevalência de cerca de 1:270 (1:263 no Brasil), enquanto a homozigótica é rara (1:160.000 a 1:300.000) e muito mais grave.
  • Sinais clínicos clássicos incluem xantoma tendíneo, arco corneano antes dos 45 anos e xantelasma; a HoHF cursa com aterosclerose e eventos coronários antes dos 30 anos.
  • O diagnóstico no Brasil usa o escore Dutch Lipid Clinic Network (Dutch MEDPED): HF certa > 8 pontos, provável 6–8 e possível 3–5; xantoma tendíneo vale 6 pontos e LDL-c ≥ 330 vale 8.
  • O teste genético é indicado ao caso-índice (adulto LDL ≥ 190 com história familiar ou ≥ 250 sem ela) e como cascata da variante familiar conhecida aos parentes.
  • O rastreamento em cascata identifica HF em 50% dos parentes de 1º grau, 25% dos de 2º grau e 12,5% dos de 3º grau, sendo o rastreio genético o mais custo-efetivo.
  • A HF é categoria de alto/muito alto risco; a meta é reduzir o LDL-c em pelo menos 50% (LDL < 70 no alto, < 50 no muito alto e < 40 mg/dL no risco extremo).
  • O tratamento é escalonado: estatina de alta potência, ezetimiba, inibidores de PCSK9 (evolocumabe/alirocumabe) ou inclisirana e ácido bempedoico em intolerantes.
  • Na HoHF refratária usam-se evinacumabe (a partir dos 5 anos), lomitapida e aférese de LDL para atingir as metas agressivas de LDL-c.

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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