EndodirectEducação médica em endocrinologia

Hipercalcemia — diagnóstico e manejo

Osteometabolismo2023

Fonte: Revisões e consensos internacionais

Confirmação e classificação

Antes de investigar, é preciso confirmar a hipercalcemia. Como cerca de metade do cálcio circula ligado à albumina, use o cálcio total corrigido pela albumina ou, de preferência, o cálcio iônico (fração biologicamente ativa).

Primeiro passo: dosar o PTH

O PTH é o exame que divide a investigação. Ele separa as causas em dependentes (PTH alto/inapropriadamente normal) e independentes (PTH suprimido) da paratireoide.

(A) PTH-dependente — PTH alto ou inapropriadamente normal

(B) PTH-independente — PTH suprimido

Quadro clínico

Síndrome clássica: "ossos, cálculos, gemidos abdominais e transtornos psíquicos" — poliúria/polidipsia (diabetes insipidus nefrogênico), náuseas, constipação, litíase renal, fraqueza muscular, confusão/letargia e encurtamento do intervalo QT ao ECG.

Manejo da hipercalcemia grave/sintomática (> 14 mg/dL ou sintomas)

  1. Hidratação com soro fisiológico 0,9% vigorosa — restaura o volume intravascular e promove calciurese.
  2. Bisfosfonato IV (ácido zoledrônico ou pamidronato) — inibe a reabsorção óssea; pico de efeito em 2–4 dias e ação duradoura.
  3. Calcitonina — efeito rápido, porém transitório (taquifilaxia); útil nas primeiras 48h como ponte.
  4. Denosumab — nos refratários a bisfosfonato ou com disfunção renal.
  5. Glicocorticoide — quando a 1,25-OH-D está elevada (linfoma, granulomatose, intoxicação por vitamina D), reduzindo absorção intestinal e atividade da CYP27B1 extrarrenal.
  6. Diálise — casos extremos ou insuficiência renal.

Evitar diuréticos de alça de rotina (só após reposição volêmica, em ICC). Sempre tratar a causa de base.

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • Confirmar a hipercalcemia antes de investigar: cálcio total corrigido pela albumina (somar 0,8 mg/dL por 1 g/dL de albumina abaixo de 4) ou, de preferência, cálcio iônico.
  • Classificar a gravidade: leve < 12, moderada 12–14, grave/crise > 14 mg/dL ou sintomática.
  • O primeiro passo diagnóstico é dosar o PTH, que separa causas PTH-dependentes (alto/normal) de PTH-independentes (suprimido).
  • PTH-dependente: hiperparatireoidismo primário (causa ambulatorial mais comum), FHH, hiperparatireoidismo terciário e lítio.
  • FHH (mutação do CaSR) cursa com calciúria baixa e relação depuração cálcio/creatinina < 0,01, é benigna e NÃO deve ser operada.
  • PTH-independente: malignidade (causa hospitalar mais comum — PTHrP, metástases osteolíticas, 1,25-OH-D em linfomas), intoxicação por vitamina D, granulomatoses, hipertireoidismo, imobilização, leite-álcali e fármacos.
  • Doenças granulomatosas (sarcoidose, tuberculose) elevam a 1,25-OH-vitamina D por atividade da 1-alfa-hidroxilase (CYP27B1) em macrófagos.
  • Manejo da forma grave: hidratação com SF 0,9% vigorosa, bisfosfonato IV (pico em 2–4 dias), calcitonina (rápida mas transitória), denosumab nos refratários/disfunção renal e diálise nos extremos.
  • Glicocorticoide é indicado quando a 1,25-OH-D está elevada; evitar diurético de alça de rotina e sempre tratar a causa de base.

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

Flashcards, mapa mental e questões deste tema

Este resumo é a parte aberta. Na plataforma ele vem com flashcards de repetição espaçada, mapa mental, questões comentadas por banca e a Questão do Dia.

Abrir a plataforma

Receba a Questão do Dia por e-mail

Uma questão de endocrinologia e os artigos mais relevantes do dia. Sem conta, sem custo — cancele com um clique.