EndodirectEducação médica em endocrinologia

Feocromocitoma e paraganglioma

Adrenal

Fonte: Endocrine Society (JCEM 2014) / NEJM 2019

Contexto e Fisiopatologia

São tumores produtores de catecolaminas originados de células cromafins. O feocromocitoma é adrenal (medula da adrenal); o paraganglioma é extra-adrenal (gânglios simpáticos, tipicamente abdominais/torácicos, ou parassimpáticos, sobretudo de cabeça e pescoço). Os paragangliomas parassimpáticos de cabeça e pescoço costumam ser não secretores. O excesso de noradrenalina, adrenalina e dopamina explica o quadro adrenérgico, a hipertensão e o risco de crise catecolaminérgica. Vale a regra dos 10% (clássica, hoje relativizada): ~10% extra-adrenais, ~10% bilaterais, ~10% malignos, ~10% em crianças — porém a fração hereditária é bem maior. Diretriz de referência: Endocrine Society (JCEM, 2014).

Quadro Clínico

Suspeitar diante da tríade clássica de cefaleia, sudorese e palpitações, tipicamente acompanhada de hipertensão paroxística ou resistente; podem ocorrer palidez, ansiedade/sensação de morte iminente, tremor, perda de peso e intolerância à glicose. As crises podem ser desencadeadas por esforço, anestesia, contraste ou certos fármacos. Também deve ser investigado em todo incidentaloma adrenal e em síndromes hereditárias conhecidas.

Diagnóstico Bioquímico

O diagnóstico é bioquímico e vem antes da imagem:

Cenários clínicos e rastreio guiado pela imagem (NEJM 2019)

Segundo a revisão de Neumann, Young & Eng (NEJM 2019, Tabela 1), a conduta depende do cenário clínico — e, no incidentaloma, o rastreio depende da imagem:

As metanefrinas fracionadas plasmáticas têm sensibilidade ~97% e especificidade ~93% (colher deitado, em repouso); elevações > 2× o LSN já são diagnósticas, enquanto elevações leves pedem repetição e revisão de interferentes. A imagem funcional preferida é o 68Ga-DOTATATE-PET-CT (superior; sobretudo em paraganglioma e doença metastática), seguido de 123I-MIBG ou 18F-FDG-PET-CT.

Localização

Apenas após a confirmação bioquímica:

Genética

Até ~40% são hereditários. Indicar teste genético — genes principais incluem SDHx (SDHB associado a maior risco de malignidade e paragangliomas), VHL, RET/NEM2, NF1, além de MAX e TMEM127. Priorizar em pacientes jovens, doença bilateral/multifocal, paragangliomas, história familiar ou fenótipo sindrômico.

Tratamento e Preparo Pré-operatório

O tratamento é a ressecção cirúrgica (de preferência laparoscópica), com preparo pré-operatório obrigatório:

Seguimento

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • Tríade clássica: cefaleia, sudorese e palpitações, com hipertensão paroxística/resistente
  • Diagnóstico: metanefrinas fracionadas plasmáticas (em repouso) ou urinárias
  • Elevação > 3× o limite superior é muito sugestiva; evitar interferentes na coleta
  • Localizar (após a bioquímica): TC/RM; MIBG ou PET em casos selecionados/metastáticos
  • Até ~40% são hereditários (SDHx, VHL, RET/NEM2, NF1) — indicar teste genético
  • Preparo pré-op OBRIGATÓRIO: bloqueio alfa-adrenérgico por 1–2 semanas + hidratação e sal
  • Betabloqueador só APÓS o alfa (nunca antes — risco de crise hipertensiva)
  • Tratamento: ressecção cirúrgica (laparoscópica de preferência); seguimento prolongado
  • NEJM 2019 (incidentaloma): o rastreio DEPENDE DA IMAGEM — TC sem contraste ≤10 UH (adenoma) afasta feo e dispensa metanefrinas; >10 UH obriga a dosar metanefrinas
  • Metanefrinas fracionadas plasmáticas têm sensibilidade ~97% e especificidade ~93%; imagem funcional preferida = 68Ga-DOTATATE-PET-CT (paraganglioma/metástase)

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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