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Endocrinopatias induzidas por fármacos

Endocrinopatias2012–2019

Fonte: Diamanti-Kandarakis et al. (COMBO ENDO), European Journal of Endocrinology; Fountas et al., Lancet Diabetes & Endocrinology; Giusti et al., Arq Bras Endocrinol Metab

Definição

As endocrinopatias induzidas por fármacos são alterações hormonais e metabólicas causadas por medicamentos de uso corrente, que interferem na produção, no transporte ou na sinalização hormonal, nos eixos de retroalimentação ou nos próprios ensaios laboratoriais. Com 10% da população e 30% dos idosos em polifarmácia, a anamnese medicamentosa meticulosa é essencial. O objetivo é reconhecer, monitorar e conduzir precocemente.

Hiperglicemia e Diabetes induzidos por fármacos

Disfunção Tireoidiana

Opioides e Hiperprolactinemia

Lítio: múltiplos eixos

Alvo 0,6–1,25 mEq/L (≤0,75 no uso prolongado); dosar a cada 3–6 meses. Além da tireoide, causa hiperparatireoidismo/hipercalcemia (desloca o set-point do receptor de cálcio; mulheres 4:1) e diabetes insípido nefrogênico em 20–40% (downregulação da AQP2), principal causa adquirida de DIN. Preferir amilorida; tiazídico com cautela. Verificar cálcio e TSH antes e durante o tratamento.

Glicocorticoides: eixo HHA e Cushing iatrogênico

GC exógeno suprime o eixo HHA, com risco de insuficiência adrenal na retirada e Cushing iatrogênico. Doses ≥ 7,5 mg/dia de prednisolona aumentam o risco de fratura vertebral (já elevado com 2,5 mg). Retirar sempre de forma gradual e monitorar hipercortisolismo.

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • Anamnese medicamentosa meticulosa é essencial: fármacos causam endocrinopatias por alterar produção, transporte e sinalização hormonal ou interferir nos ensaios laboratoriais.
  • Glicocorticoides são a principal causa de hiperglicemia/diabetes medicamentoso (hiperglicemia 32,3%, diabetes 18,6%; risco dobrado), com padrão pós-prandial vespertino tratado com metformina e insulina basal.
  • Antipsicóticos atípicos (olanzapina, clozapina) causam ganho ponderal, resistência insulínica e diabetes; ganho de 5% do peso em 4 semanas é sinal de mau prognóstico.
  • Amiodarona (37% de iodo, meia-vida 30–100 dias) causa hipotireoidismo (AIH, tratar com LT4 mantendo a droga) ou tireotoxicose tipo 1 (tionamidas) e tipo 2 (glicocorticoides).
  • Opioides induzem hipogonadismo hipogonadotrófico (OPIAD) em 50–85% dos dependentes; diagnosticar com testosterona matinal em 2 amostras, LH/FSH, e tratar reduzindo dose ou repondo testosterona.
  • Antagonistas dopaminérgicos D2 (antipsicóticos, metoclopramida, domperidona) elevam prolactina, podendo ultrapassar 200 µg/L; aripiprazol é opção poupadora.
  • Lítio provoca bócio/hipotireoidismo (até 50%/30%), hiperparatireoidismo com hipercalcemia e diabetes insípido nefrogênico (20–40%), exigindo dosagem de cálcio e TSH antes e durante o uso.
  • Glicocorticoides exógenos suprimem o eixo HHA gerando Cushing iatrogênico e insuficiência adrenal na retirada abrupta; suspender sempre de forma gradual.
  • Princípio geral de manejo: reconhecer precocemente, monitorar de forma programada e, quando possível, reduzir, suspender ou substituir o fármaco causador, com reposição hormonal quando indicada.

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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