Doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD/MASH)
Nomenclatura e definição
Em 2023, um consenso multissociedade (AASLD/EASL/ALEH) substituiu os termos NAFLD/DHGNA por MASLD (metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease) e NASH por MASH. A mudança evita o termo estigmatizante "gordurosa" e valoriza o mecanismo cardiometabólico.
- MASLD = esteatose hepática (imagem, histologia ou biomarcadores) + ≥1 critério cardiometabólico: sobrepeso/obesidade ou cintura aumentada; disglicemia (pré-DM ou DM2); hipertensão arterial; triglicerídeos altos ou HDL baixo.
- MASH = forma necroinflamatória (esteatose + balonização + inflamação) que progride para fibrose → cirrose → carcinoma hepatocelular (CHC).
- MetALD = MASLD com consumo de álcool moderado (fenótipo intermediário entre MASLD e doença alcoólica).
Rastreamento e estadiamento não invasivo
Rastrear indivíduos de risco: DM2, obesidade e síndrome metabólica. O objetivo é identificar fibrose, o principal determinante prognóstico.
- FIB-4 (idade, AST, ALT, plaquetas) é o primeiro passo: baixo risco < 1,3; indeterminado 1,3–2,67; alto risco > 2,67.
- FIB-4 indeterminado ou alto → segundo teste: elastografia hepática (VCTE/FibroScan) ou ELF (Enhanced Liver Fibrosis).
- Biópsia hepática fica reservada a casos duvidosos ou para excluir outras causas.
Tratamento
- Perda de peso de ≥ 7–10% (dieta e exercício) é a base: melhora esteatose, inflamação e pode regredir fibrose.
- Agonistas do receptor de GLP-1 e tirzepatida auxiliam peso e controle metabólico.
- Resmetirom (agonista do receptor de hormônio tireoidiano-β): aprovado pelo FDA em março de 2024 para MASH não cirrótica com fibrose F2–F3, associado a dieta e exercício.
- Semaglutida 2,4 mg (ensaio ESSENCE, NEJM 2025; aprovação FDA em agosto de 2025): benefício histológico em MASH F2–F3, com resolução da esteato-hepatite em ~63% vs ~34% no placebo.
- Tratar DM2 e dislipidemia: a estatina é segura e indicada pelo risco cardiovascular, que é a principal causa de morte nesses pacientes.
- Evitar álcool, vacinar para hepatites A e B.
- Na cirrose: rastrear CHC (US ± alfafetoproteína semestral) e varizes (endoscopia).
Encaminhamento
Encaminhar ao hepatologista quando houver fibrose avançada (FIB-4 alto, elastografia elevada) ou sinais de doença hepática crônica descompensada.
Pontos-Chave
- MASLD substitui NAFLD e exige esteatose + ≥1 critério cardiometabólico.
- MASH é a forma progressiva; a fibrose determina o prognóstico.
- FIB-4 é o rastreio inicial (< 1,3 baixo; > 2,67 alto), seguido de elastografia/ELF.
- Perda de ≥ 7–10% do peso é o pilar terapêutico.
- Resmetirom e semaglutida 2,4 mg têm benefício comprovado em MASH F2–F3.
- Estatina é segura e reduz a mortalidade cardiovascular, principal causa de óbito.
Pontos-chave
- Nomenclatura 2023: NAFLD/DHGNA passa a MASLD e NASH passa a MASH.
- MASLD = esteatose hepática + ao menos 1 critério cardiometabólico.
- MASH é a forma necroinflamatória que evolui para fibrose, cirrose e CHC.
- Rastrear DM2, obesidade e síndrome metabólica com foco na fibrose.
- FIB-4 inicial: < 1,3 baixo; 1,3–2,67 indeterminado; > 2,67 alto risco.
- FIB-4 alterado segue com elastografia (VCTE/FibroScan) ou ELF.
- Perda de peso de ≥ 7–10% é a base do tratamento.
- Resmetirom (2024) e semaglutida 2,4 mg (2025) tratam MASH F2–F3.
- Estatina é segura e indicada; risco cardiovascular é a principal causa de morte.
Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.