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Dislipidemia nas doenças endócrinas

Lípides2020

Fonte: Endocrine Society

Definição

As doenças endócrinas modulam praticamente todas as vias do metabolismo das lipoproteínas — expressão de receptores, produção de apolipoproteínas, atividade enzimática plasmática e disponibilidade de substratos (ácidos graxos, glicose). Por isso, distúrbios hormonais frequentemente alteram o perfil lipídico e o risco cardiovascular aterosclerótico (ASCVD). O guideline da Endocrine Society 2020 (co-patrocinado pela European Society of Endocrinology) aborda a avaliação e o manejo da dislipidemia nesses contextos, com o objetivo de prevenir eventos cardiovasculares e pancreatite induzida por triglicérides.

Rastreamento e Avaliação de Risco

Hipertrigliceridemia e Pancreatite

Doenças Endócrinas Específicas

Hormônios Sexuais e Menopausa

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • Em todo adulto com doença endócrina, solicitar painel lipídico (não jejum aceitável na triagem) e calcular o risco de ASCVD em 10 anos pelas Pooled Cohort Equations.
  • Sempre descartar hipotireoidismo como causa de hiperlipidemia ANTES de iniciar hipolipemiante; no hipotireoidismo franco, não tratar a dislipidemia até o paciente ficar eutireóideo.
  • No hipotireoidismo subclínico com TSH < 10 mIU/L e hiperlipidemia, considerar levotiroxina para reduzir o LDL; no hipertireoidismo, reavaliar o perfil após atingir eutireoidismo.
  • TG em jejum > 500 mg/dL exige tratamento farmacológico com dieta e exercício para prevenir pancreatite; evitar plasmaférese e insulina como primeira linha na pancreatite hipertrigliceridêmica.
  • Na síndrome de Cushing endógena persistente, indicar estatina independentemente do escore de risco, tratando se LDL > 70 mg/dL; mitotano causa dislipidemia secundária.
  • Na acromegalia, medir o perfil lipídico antes e após o tratamento do excesso de GH; na deficiência de GH, não usar reposição de GH apenas para reduzir o LDL.
  • Na SOP, obter painel lipídico em jejum ao diagnóstico, sendo a hipertrigliceridemia a alteração mais comum; não usar hipolipemiantes para tratar hiperandrogenismo ou infertilidade.
  • O estrogênio oral aumenta HDL até 15% e reduz LDL até 20%, porém eleva TG (risco de pancreatite); na pós-menopausa, tratar dislipidemia com estatina e não com terapia hormonal.
  • HDL < 30 mg/dL sem hipertrigliceridemia deve levantar suspeita de abuso de esteroides anabolizantes; testosterona não deve ser prescrita para melhorar o perfil lipídico ou o risco CV.

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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