Diabetes mellitus tipo 1
Diabetes2024
Definição e Patogênese
- O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) resulta, na maioria dos casos, da destruição autoimune das células beta pancreáticas, levando à deficiência absoluta de insulina e dependência vitalícia de insulina exógena.
- É uma doença heterogênea: varia quanto à idade de início, ao número e tipo de autoanticorpos, à predisposição genética (HLA classe II, sobretudo DR3/DR4-DQ8) e à velocidade de perda funcional das células beta.
- Os principais autoanticorpos contra ilhotas são anti-GAD (GAD65), anti-IA-2, anti-ZnT8 e anti-insulina (IAA). A presença de dois ou mais autoanticorpos confirma autoimunidade e prediz alta probabilidade de progressão para doença clínica.
Estadiamento (ADA/ISPAD)
- Estágio 1: dois ou mais autoanticorpos com normoglicemia, ainda pré-sintomático.
- Estágio 2: dois ou mais autoanticorpos com disglicemia (intolerância à glicose/glicemia alterada), ainda pré-sintomático.
- Estágio 3: hiperglicemia clínica com sintomas — corresponde ao diagnóstico tradicional de DM1.
Apresentação Clínica
- Quadro clássico: poliúria, polidipsia, perda de peso, polifagia e fadiga, geralmente de instalação rápida em crianças e adultos jovens.
- Até um terço dos pacientes abre o quadro com cetoacidose diabética (CAD).
- Após o início da insulinoterapia pode surgir a fase de remissão parcial ("lua de mel"), transitória, com redução das necessidades de insulina — não representa cura.
Diagnóstico Diferencial
- Diferenciar de DM2, LADA e MODY. Favorecem DM1: autoanticorpos positivos, C-peptídeo baixo, idade jovem e ausência de obesidade — porém há sobreposição clínica.
- O LADA é forma autoimune de progressão lenta no adulto; o MODY é monogênico, autoanticorpo-negativo e com forte história familiar.
Tratamento
- A insulina é obrigatória e vitalícia. Preferir esquema basal-bólus (múltiplas doses diárias com análogos de ação prolongada + ultrarrápida) ou bomba de insulina, idealmente com monitorização contínua de glicose (CGM) e sistemas automatizados de entrega (AID / alça fechada híbrida).
- Contagem de carboidratos, educação em diabetes e ajuste de doses para exercício e dias de doença são pilares do manejo.
- Metas: A1C individualizada (em geral <7%), com prioridade ao tempo no alvo (TIR >70%) e à redução de hipoglicemias. Prescrever glucagon para todos.
- Adjuvantes off-label: os iSGLT2 (programa EASE, empagliflozina) reduziram A1C, peso e dose de insulina, porém aumentam o risco de cetoacidose, inclusive euglicêmica — exigem seleção criteriosa e educação. A metformina pode ser considerada em resistência insulínica associada.
- Imunoterapia: o teplizumabe (anti-CD3) retarda a progressão do estágio 2 para o estágio 3.
Rastreamento e Complicações
- Rastrear comorbidades autoimunes (tireoidite, doença celíaca, doença de Addison) e as complicações micro e macrovasculares.
- A doença hepática esteatótica associada a disfunção metabólica (MASLD) também pode ocorrer no DM1.
Pontos-Chave
Pontos-chave
- DM1 = destruição autoimune das células beta com deficiência ABSOLUTA de insulina; doença heterogênea (idade, autoanticorpos, HLA).
- Autoanticorpos-chave: anti-GAD, anti-IA-2, anti-ZnT8 e anti-insulina; dois ou mais confirmam autoimunidade e predizem progressão.
- Estadiamento: estágio 1 (normoglicemia), estágio 2 (disglicemia) — ambos pré-sintomáticos — e estágio 3 (hiperglicemia clínica).
- Apresentação com poliúria, polidipsia e perda de peso; até 1/3 abre com cetoacidose; possível fase de remissão ("lua de mel").
- Diagnóstico diferencial com DM2/LADA/MODY: autoanticorpos +, C-peptídeo baixo, jovem, sem obesidade — mas há sobreposição.
- Tratamento: insulina vitalícia em esquema basal-bólus ou bomba, com CGM e sistemas automatizados; contagem de carboidratos.
- Metas: A1C individualizada (<7%), priorizar TIR >70% e reduzir hipoglicemia; prescrever glucagon a todos os pacientes.
- iSGLT2 (EASE/empagliflozina) reduzem A1C, peso e insulina, mas aumentam risco de CAD euglicêmica; teplizumabe retarda o estágio 2 para 3.
- Rastrear comorbidades autoimunes (tireoidite, celíaca, Addison) e complicações micro/macrovasculares; MASLD pode ocorrer no DM1.
Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.