EndodirectEducação médica em endocrinologia

Diabetes insipidus (deficiência de AVP) e SIADH

Neuroendocrinologia2022

Fonte: Consenso internacional / ESE

Contexto e Fisiopatologia

São distúrbios opostos do equilíbrio da água mediados pela vasopressina (AVP/ADH), sintetizada nos núcleos supraóptico/paraventricular e liberada pela neuro-hipófise em resposta ao aumento da osmolalidade plasmática e à hipovolemia. A AVP atua nos receptores V2 do túbulo coletor, inserindo aquaporinas-2 e permitindo a reabsorção de água livre. Na deficiência de AVP (diabetes insipidus central), a falta do hormônio impede a concentração urinária; no SIADH, o excesso de AVP retém água livre, diluindo o sódio. A nomenclatura moderna prefere deficiência de AVP (arginina-vasopressina) a "diabetes insipidus central" e resistência à AVP a "diabetes insipidus nefrogênico", para evitar confusão com o diabetes mellitus.

Quadro Clínico

O diabetes insipidus central cursa com poliúria hipotônica (> 50 mL/kg/dia, urina diluída) + polidipsia intensa, com preferência por água gelada; o sódio tende a subir se o acesso à água for limitado (idosos, pós-operatório, rebaixamento). O SIADH manifesta-se como hiponatremia de graus variados — muitas vezes assintomática ou com sintomas neurológicos inespecíficos (cefaleia, náusea, confusão, letargia) e, nos casos graves/agudos (Na < 120), convulsões e coma por edema cerebral.

Etiologias

Diagnóstico

No DI central, o diagnóstico moderno usa a copeptina (fragmento estável coliberado com a AVP) após estímulo — salina hipertônica ou arginina —, que supera o teste clássico de privação hídrica e diferencia as três causas de poliúria:

Na prática, o DI central responde à desmopressina (concentra a urina) e o nefrogênico não responde. Na privação hídrica clássica, Uosm permanece < 300 mOsm/kg no DI, com resposta à desmopressina apenas no central.

O SIADH é diagnóstico de exclusão (função tireoidiana e adrenal normais, sem uso de diurético, euvolemia), definido por:

Tratamento

Segurança da Correção do Sódio

Corrigir o sódio com cautela: ≤ 8–10 mEq/L em 24 h para evitar a síndrome de desmielinização osmótica (mielinólise pontina). Maior risco em hiponatremia crônica, alcoolismo, desnutrição e hipocalemia. Na hiponatremia grave sintomática, usar bólus de salina a 3% para elevar o sódio em 4–6 mEq/L e ceder os sintomas, sem ultrapassar o limite diário.

Pontos-Chave

Fonte: Consenso internacional / ESE (2022).

Pontos-chave

  • Deficiência de AVP (DI central): poliúria hipotônica + polidipsia
  • Diagnóstico moderno: copeptina após estímulo (salina hipertônica ou arginina) — supera a privação hídrica
  • Diferenciar DI central de nefrogênico (resistência à AVP) e de polidipsia primária
  • Tratar o DI central com desmopressina (dDAVP), com "escape" hídrico para evitar hiponatremia
  • SIADH: hiponatremia hipoosmolar euvolêmica, Uosm >100, Na urinário >30–40, sem diurético
  • SIADH é diagnóstico de exclusão (tireoide e adrenal normais)
  • Conduta inicial do SIADH: restrição hídrica
  • Corrigir o sódio ≤8–10 mEq/L/24h para evitar a desmielinização osmótica

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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