Deficiência de vitamina D
Contexto
A diretriz de 2024 tem foco na prevenção de doenças na população e muda a abordagem tradicional: não recomenda rastrear a 25-OH-vitamina D de rotina em adultos saudáveis, nem tratar por metas numéricas nesse grupo. A vitamina D é sintetizada na pele (colecalciferol/D3) pela exposição à radiação UVB e obtida na dieta; sofre hidroxilação hepática (25-OH-D, forma de estoque) e renal (1,25-(OH)2-D/calcitriol, forma ativa, sob controle do PTH). A 25-OH-vitamina D é o metabólito usado para avaliar o estoque corporal por refletir a reserva e ter meia-vida longa.
Papel Fisiológico
A vitamina D promove a absorção intestinal de cálcio e fósforo e a mineralização óssea. Sua deficiência crônica causa raquitismo na criança e osteomalácia no adulto, além de agravar o hiperparatireoidismo secundário e a perda óssea.
Suplementação Empírica (sem dosar)
É sugerida em grupos específicos, pelos possíveis benefícios além do osso:
- Crianças e adolescentes (prevenção de raquitismo e possível redução de infecções respiratórias)
- Gestantes
- Idosos (associação com quedas/fraturas e mortalidade)
- Pessoas com pré-diabetes (possível redução da progressão para diabetes)
Quando Dosar e Tratar
A dosagem e o tratamento permanecem indicados em situações clínicas, e não na população assintomática:
- Osteoporose/osteomalácia e raquitismo
- Má absorção (doença celíaca, doença inflamatória intestinal, cirurgia bariátrica)
- Doença renal ou hepática crônica
- Hiperparatireoidismo (primário ou secundário)
- Fármacos que aceleram o catabolismo da vitamina D (anticonvulsivantes, glicocorticoides, antirretrovirais)
- Síndromes de má formação óssea e hipocalcemia sintomática
Valores de Referência
- Deficiência: 25-OH-vitamina D < 20 ng/mL
- Insuficiência: faixa intermediária ~20–30 ng/mL, conforme o contexto
- Suficiência: em geral ≥ 20–30 ng/mL
- Toxicidade: níveis muito elevados (usualmente > 150 ng/mL) com hipercalcemia
- Perfil da osteomalácia: 25-OH-D baixa, PTH secundariamente elevada (hiperparatireoidismo secundário), tendência à hipocalcemia/hipofosfatemia e fosfatase alcalina alta.
Tratamento e Segurança
- Preferir colecalciferol (D3) ao ergocalciferol (D2), por manter níveis mais estáveis; repor cálcio quando a ingestão for insuficiente.
- Esquemas de reposição usam doses de ataque seguidas de manutenção; corrigir a deficiência antes de investigar/tratar hiperparatireoidismo primário para não confundir os diagnósticos.
- Na má absorção, podem ser necessárias doses maiores ou formas ativas; na doença renal crônica, usar calcitriol/análogos (a hidroxilação renal está comprometida).
- Evitar megadoses pelo risco de toxicidade: hipercalcemia, hipercalciúria, nefrolitíase, 25-OH-D muito elevada e lesão renal.
Pontos-Chave
- Sem rastreio nem metas numéricas na população saudável.
- Suplementar empiricamente grupos selecionados (crianças, gestantes, idosos, pré-diabetes); dosar apenas em contexto clínico.
- Deficiência é 25-OH-D < 20 ng/mL; o perfil da osteomalácia é 25-OH-D baixa + PTH alta + FA alta.
- Corrigir a vitamina D antes de investigar hiperparatireoidismo primário; evitar megadoses pelo risco de toxicidade.
Fonte: Endocrine Society (2024).
Pontos-chave
- A diretriz 2024 (prevenção) NÃO recomenda rastrear 25-OH-D de rotina em adultos saudáveis
- Não tratar por metas numéricas na população geral saudável
- Suplementação empírica sugerida em: crianças/adolescentes, gestantes, idosos e pré-diabetes
- Dosar/tratar segue indicado em situações clínicas (osteoporose, má absorção, DRC, hiperpara)
- Deficiência: 25-OH-D < 20 ng/mL; suficiência geralmente ≥ 20–30 ng/mL
- Preferir colecalciferol (D3); repor cálcio quando necessário
- Evitar megadoses (risco de toxicidade: hipercalcemia/hipercalciúria)
- Investigar deficiência sintomática ou de alto risco, não a população assintomática
Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.