EndodirectEducação médica em endocrinologia

Cuidado endócrino de pessoas transgênero

Endocrinologia Feminina2022

Fonte: WPATH SOC-8 / Endocrine Society

Referências e princípios

O cuidado endócrino de pessoas transgênero baseia-se nas WPATH Standards of Care versão 8 (SOC-8, 2022) e na diretriz da Endocrine Society (2017), esta última voltada às metas laboratoriais e à monitorização. A abordagem deve ser individualizada, multidisciplinar e conduzida com consentimento informado, reduzindo barreiras de acesso e adotando um cuidado afirmativo.

Terapia hormonal feminizante (mulher trans)

O objetivo é aproximar o perfil hormonal e as características físicas do sexo feminino:

As metas de estradiol e testosterona seguem a Endocrine Society, buscando níveis de estradiol na faixa fisiológica feminina e supressão da testosterona à faixa feminina. Os efeitos esperados incluem crescimento mamário, redistribuição de gordura e diminuição de pelos. Os principais riscos são TEV (estrogênio), elevação da prolactina e alterações hepáticas, motivo pelo qual a via transdérmica é preferida em pacientes com fatores de risco vascular.

Terapia hormonal masculinizante (homem trans)

O objetivo é atingir níveis masculinos de androgênio:

Os efeitos esperados incluem interrupção dos ciclos menstruais, engrossamento da voz, aumento de pelos e da massa muscular. A vigilância deve incluir hematócrito (risco de policitemia/eritrocitose), perfil lipídico e efeitos como acne.

Monitorização

O acompanhamento é periódico e inclui:

Adolescentes

Em serviço especializado e de forma individualizada, pode-se utilizar bloqueio puberal com análogos de GnRH em estágio de Tanner adequado, permitindo tempo para decisão antes da hormonização de afirmação.

Fertilidade e rastreamento

O cuidado afirmativo, com linguagem respeitosa e redução de barreiras, é parte central do manejo.

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • Referências: WPATH SOC-8 (2022) e Endocrine Society (2017).
  • Abordagem individualizada, multidisciplinar e com consentimento informado.
  • Feminizante: estrogênio (17-beta-estradiol transdérmico) + antiandrogênio.
  • Antiandrogênios: espironolactona, ciproterona ou análogo de GnRH.
  • Masculinizante: testosterona (gel/IM) com alvo na faixa masculina.
  • Vigiar hematócrito/policitemia, lípides, prolactina e função hepática.
  • Adolescentes: bloqueio puberal com análogos de GnRH em Tanner adequado.
  • Preservar fertilidade antes da hormonização.
  • Rastreamento de saúde conforme os órgãos presentes (mama, próstata, colo).

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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