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Cetoacidose diabética (CAD)

Diabetes2022–2024

Fonte: ADA / consensos

Definição e Tríade Diagnóstica

A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência hiperglicêmica por deficiência absoluta ou relativa de insulina com aumento de hormônios contrarreguladores (glucagon, catecolaminas, cortisol, GH). Define-se pela tríade:

O mnemônico "D-K-A" reúne glicose alta (D), cetoácidos (K) e acidose com ânion gap alto (A).

Classificação de Gravidade

Definida pela acidose e pelo nível de consciência, NÃO pela glicemia:

Precipitantes

Quadro Clínico

Poliúria, polidipsia, perda de peso, náusea, vômito e dor abdominal, desidratação, taquicardia, respiração de Kussmaul, hálito cetônico e alteração do sensório (da lucidez ao coma).

Manejo (ordem)

  1. Fluidos: SF 0,9% vigoroso, 500–1000 mL/h nas primeiras 2–4 h; depois ajustar pelo sódio corrigido (Na + 1,6 × [(glicose–100)/100]), migrando para SF 0,45% se sódio alto.
  2. Potássio: se K >5,0 adiar; K 3,5–5,0 acrescentar 40 mEq/L; NÃO iniciar insulina se K <3,3 mEq/L — repor K primeiro (risco de hipocalemia grave e arritmia). Reposição clássica quando K <5,2.
  3. Insulina regular IV em infusão contínua 0,1 U/kg/h (± bólus 0,1 U/kg), somente após garantir K ≥3,3.
  4. Quando glicemia ~200 mg/dL, reduzir insulina para 0,02–0,05 U/kg/h e acrescentar soro glicosado 5–10%, mantendo a insulina até resolver a acidose/ânion gap.
  5. Bicarbonato apenas se pH <6,9.
  6. Tratar o fator precipitante.

Resolução e Transição

Glicose <200 mg/dL mais dois de: bicarbonato ≥15, pH venoso >7,3, ânion gap ≤12 (o primer atualizado usa bicarbonato ≥18 e AG ≤14). Transição para insulina SC com sobreposição de 1–2 h com a infusão IV para evitar recidiva.

CAD Euglicêmica e EHH

Pontos-Chave

Nunca deixe a glicemia normal afastar CAD em usuário de iSGLT2; garanta K ≥3,3 antes da insulina; mantenha insulina até fechar o ânion gap.

Pontos-chave

  • Tríade da CAD: hiperglicemia (≥200 mg/dL ou história de diabetes; consenso 2024), acidose metabólica (pH <7,3 e/ou bicarbonato <18 mEq/L) e cetose, com ânion gap elevado (>10–12).
  • A gravidade (leve/moderada/grave) é definida pela acidose (pH, bicarbonato) e pelo nível de consciência, não pela glicemia.
  • Sequência do manejo: fluidos primeiro (SF 0,9% 500–1000 mL/h), depois potássio, e só então insulina.
  • NÃO iniciar insulina se K <3,3 mEq/L: repor potássio antes para evitar hipocalemia grave e arritmias.
  • Insulina regular IV em infusão contínua 0,1 U/kg/h; reduzir para 0,02–0,05 U/kg/h e associar glicose 5–10% quando glicemia ~200 mg/dL.
  • Manter a insulina até resolver a acidose/ânion gap; bicarbonato apenas se pH <6,9.
  • Resolução: glicose <200 mais dois de (bicarbonato ≥15, pH venoso >7,3, ânion gap ≤12); transição para SC com sobreposição de 1–2 h.
  • CAD euglicêmica (glicemia <200–250) associa-se a iSGLT2, gestação e jejum: dosar cetona/gasometria mesmo sem hiperglicemia.
  • Diferenciar do EHH: glicose muito alta, hiperosmolaridade (>320 mOsm/L) e sem acidose significativa (pH >7,3).

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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