EndodirectEducação médica em endocrinologia

Carcinoma adrenocortical

Adrenal2018

Fonte: ESE-ENSAT

Epidemiologia e Comportamento

O carcinoma adrenocortical (CAC) é uma neoplasia endócrina rara e agressiva, com incidência de 0,7–2 casos por milhão/ano e prognóstico globalmente desfavorável. Apresenta distribuição etária bimodal, com um pico na infância (mais frequente no sul do Brasil, ligado à mutação germinativa TP53 R337H) e outro na 4ª–5ª décadas. Por ser diagnosticado tardiamente e ter alta capacidade de invasão local e metástases (fígado, pulmão, linfonodos), o prognóstico é reservado.

Apresentação Clínica

Cerca de 40–60% dos CAC são hormonalmente funcionantes. As síndromes possíveis são:

A co-secreção de cortisol e androgênios sugere fortemente malignidade. Outro terço apresenta sintomas de efeito de massa (dor/plenitude abdominal) e 20–30% são incidentais.

Suspeita e Imagem

Deve-se suspeitar de CAC diante de massa adrenal grande (> 4 cm; a maioria > 6 cm) com achados de imagem preocupantes:

Avaliação Pré-operatória

Histopatologia e Prognóstico

O diagnóstico definitivo é histológico, por patologista experiente, com o escore de Weiss (≥ 3 favorece malignidade). O índice de proliferação Ki-67 é o principal marcador prognóstico (CAC costuma ter Ki-67 > 5%), orientando risco de recidiva e conduta.

Tratamento

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • Carcinoma adrenocortical (CAC): neoplasia endócrina rara (0,7–2/milhão/ano), agressiva, com distribuição etária bimodal e prognóstico desfavorável.
  • Cerca de 40–60% são funcionantes: hipercortisolismo de instalação rápida é o mais comum, seguido de excesso de androgênios (virilização); co-secreção cortisol+androgênio sugere malignidade.
  • Suspeitar em massa adrenal grande (> 4 cm), com densidade > 10–20 UH na TC sem contraste, heterogeneidade, washout absoluto < 60% e bordas irregulares.
  • Realizar workup hormonal COMPLETO antes da cirurgia, incluindo metanefrinas para excluir feocromocitoma, além de cortisol/dexametasona, DHEA-S/androgênios, 17-OH-progesterona, estradiol e aldosterona/renina.
  • NÃO puncionar (PAAF/biópsia) massa com suspeita de CAC pelo risco de disseminação; biópsia só em metástase e após excluir feocromocitoma.
  • Estadiamento ENSAT (I–IV) com TC/RM de tórax e abdome, avaliando veia cava, linfonodos e metástases.
  • Diagnóstico histológico por patologista experiente: escore de Weiss (≥ 3) e índice Ki-67 como principal marcador prognóstico.
  • Adrenalectomia aberta com ressecção R0 em centro de referência é a única chance de cura; mitotano adjuvante no alto risco (ENSAT III, R1 ou Ki-67 > 10%).
  • Doença avançada: EDP-M (etoposídeo + doxorrubicina + cisplatina + mitotano) ou mitotano; controlar hipercortisolismo e seguir com imagem + marcadores hormonais.

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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