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Armadilhas e interferências em testes laboratoriais endócrinos

Endocrinopatias2019

Fonte: Haddad, Giacherio & Barkan — Clinical Diabetes and Endocrinology (revisão)

Definição

As armadilhas laboratoriais (pitfalls) são erros analíticos e pré-analíticos que distorcem dosagens hormonais e podem levar a diagnósticos e tratamentos equivocados. A maioria dos ensaios hormonais ainda usa imunoensaios, divididos em competitivos (sinal inversamente proporcional à concentração) e não competitivos ("sanduíche") com dois anticorpos (sinal diretamente proporcional). Compreender o formato do ensaio é essencial, pois a mesma interferência pode falsear o resultado para cima ou para baixo conforme o método.

Mecanismos e Etiologia

Quadro Clínico

O alerta central é a discordância entre a clínica e o laboratório. Prolactina muito elevada sem sintomas sugere macroprolactinemia; TSH alto com T4/T3 normais e paciente eutireóideo sugere macro-TSH; TSH baixo com T4 alto simulando Graves sugere biotina; hipercortisolismo bioquímico com ACTH indetectável em uso de prednisona sugere reatividade cruzada com prednisolona.

Diagnóstico

Tratamento e Conduta

Seguimento e Pontos Práticos

Pontos-Chave

Pontos-chave

  • Sempre desconfie quando o resultado hormonal não bate com a clínica: a maioria das armadilhas laboratoriais é revelada por essa discordância.
  • O efeito gancho (hook) gera resultado falsamente BAIXO em ensaios sanduíche diante de concentrações altíssimas; suspeite em macroprolactinomas grandes (>4 cm) e confirme com diluição seriada (1:100 ou mais).
  • A macroprolactina (complexo prolactina-IgG >100 kDa, inativo) eleva falsamente a prolactina; rastreie com precipitação por PEG (macroprolactinemia se precipitável >60% / monomérica <40%), sendo a GFC o padrão-ouro.
  • O macro-TSH (complexo TSH-IgG) simula hipotireoidismo primário com T4/T3 normais; o PEG é menos confiável (suspeitar se precipitável >90%, sobretudo TSH >10 mU/L) e a confirmação é por GFC.
  • Anticorpos heterófilos e anti-animais (HAMA) fazem ponte entre os anticorpos de captura e sinal, elevando falsamente TSH, hCG, tireoglobulina, troponina e outros; resolva com outra plataforma, reagente bloqueador e teste de linearidade.
  • A biotina interfere no sistema estreptavidina-biotina: em ensaio sanduíche baixa o sinal (falso baixo) e em competitivo o eleva (falso alto), podendo simular Graves (TSH baixo, T4 alto); suspenda a biotina por alguns dias antes de repetir.
  • A reatividade cruzada de esteroides falseia o cortisol (prednisolona, 11-desoxicortisol, 17-OHP, metirapona); prefira LC-MS/MS, e lembre que indutores do CYP3A4 e estrogênio (↑CBG) causam falso-positivo no teste de supressão com dexametasona.
  • Alterações de TBG, SHBG e CBG mudam o hormônio TOTAL, mas não a fração LIVRE (padrão-ouro: diálise de equilíbrio); os métodos por análogo de testosterona livre refletem a total e não são endossados pela Endocrine Society.
  • Diante de dado incompatível, a conduta prática é confirmar por repetição em outra plataforma, diluição, precipitação com PEG, dosagem da fração livre ou LC-MS/MS, sempre em comunicação com o laboratório.

Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.

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