Adenoma hipofisário não funcionante (NFPA)
Neuroendocrinologia2018–2020
Definição e Classificação
Os adenomas hipofisários não funcionantes (NFPA) são neoplasias hipofisárias benignas que não cursam com síndrome clínica de hipersecreção hormonal. A maioria é de origem gonadotrófica: são tumores "silenciosos", com imuno-histoquímica positiva para FSH, LH e/ou subunidade alfa (ou marcação apenas pelo fator de transcrição SF-1), porém sem repercussão hormonal clínica.
- Pela classificação da OMS 2017, a caracterização usa fatores de transcrição: SF-1 (linhagem gonadotrófica), PIT-1 (GH, prolactina, TSH) e TPIT (linhagem corticotrófica).
- Existem também adenomas silenciosos corticotróficos e somatotróficos (imuno-histoquímica positiva sem síndrome clínica). Os silenciosos corticotróficos tendem a ser mais agressivos, com maior taxa de recidiva.
- O adenoma de células nulas (null cell), negativo para hormônios e fatores de transcrição, é hoje considerado raro.
Epidemiologia
- Representam cerca de 1/3 dos adenomas hipofisários (14–54% nas séries); são os segundos mais comuns após os prolactinomas, mas predominam entre os macroadenomas.
- Por não causarem síndrome hormonal precoce, costumam ser diagnosticados tardiamente, já como macroadenomas (≥1 cm) ou como incidentalomas.
- Pico de ocorrência entre a 4ª e a 8ª décadas de vida.
Apresentação Clínica (Efeito de Massa)
- Cefaleia e defeito de campo visual por compressão do quiasma óptico, classicamente hemianopsia bitemporal, com perda de acuidade nos casos avançados.
- Hipopituitarismo por compressão da hipófise/haste (37–85% dos casos; o eixo GH é o mais afetado).
- Hiperprolactinemia de desconexão de haste: prolactina apenas leve a moderadamente elevada (tipicamente <100–150 ng/mL). Diferenciar do prolactinoma, no qual a PRL é muito alta; atenção ao efeito gancho ("hook effect") em macroadenomas volumosos, evitado com diluição do soro.
- Apoplexia hipofisária: o NFPA é o adenoma prévio mais frequente, respondendo por grande parte dos casos.
Diagnóstico
- RM de sela é o exame de escolha para caracterizar a lesão.
- Avaliação laboratorial para excluir hipersecreção (prolactina, IGF-1, cortisol/teste de supressão com dexametasona) e para detectar hipopituitarismo (FSH/LH, estradiol/testosterona, TSH/FT4, cortisol das 9h, eixo somatotrófico).
- Campo visual (perimetria) sempre que a lesão tocar ou comprimir o quiasma.
Tratamento e Seguimento
- Cirurgia transesfenoidal é a 1ª linha e o único tratamento potencialmente curativo quando há efeito de massa, déficit visual ou crescimento tumoral.
- Radioterapia (incluindo estereotáxica) para tumor residual, recidivado ou agressivo.
- Observação com RM seriada em microadenomas e macroadenomas pequenos sem compressão (risco de crescimento maior em macroadenomas do que em microadenomas).
- Não há terapia medicamentosa consolidadamente eficaz (agonistas dopaminérgicos e análogos de somatostatina têm papel limitado).
- Seguimento com RM, campo visual e reavaliação dos eixos; repor deficiências e usar doses de estresse de glicocorticoide quando indicado.
Pontos-Chave
Pontos-chave
- NFPA = adenoma hipofisário SEM síndrome de hipersecreção hormonal clínica; a maioria é gonadotrófica (silenciosa), com imuno-histoquímica positiva para gonadotrofinas/subunidades sem repercussão clínica.
- Representam cerca de 1/3 dos adenomas hipofisários e, por serem silenciosos, costumam ser diagnosticados já como macroadenomas (≥1 cm) ou como incidentalomas.
- Apresentação típica por efeito de massa: cefaleia, defeito de campo visual (hemianopsia bitemporal por compressão do quiasma) e hipopituitarismo.
- Hiperprolactinemia é de DESCONEXÃO de haste: PRL apenas leve a moderadamente elevada (<100–150 ng/mL); PRL muito alta sugere prolactinoma.
- Cuidado com o EFEITO GANCHO em macroadenomas volumosos (PRL falsamente baixa) — diluir o soro antes do ensaio.
- Diagnóstico: RM de sela + avaliação laboratorial para EXCLUIR hipersecreção (PRL, IGF-1, cortisol/dexametasona) e DETECTAR hipopituitarismo, além de campo visual quando o quiasma é comprimido.
- Silenciosos corticotróficos tendem a ser mais agressivos e recidivar mais; tumores silenciosos em geral são mais agressivos que seus equivalentes secretores.
- Cirurgia transesfenoidal é a 1ª linha (efeito de massa/déficit visual/crescimento); radioterapia para residual/recidiva/agressivos; observação com RM seriada nos pequenos sem compressão.
- Não há terapia medicamentosa consolidadamente eficaz; no seguimento, repor deficiências hormonais e usar doses de estresse de glicocorticoide quando indicado.
Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.