Acromegalia
Contexto e Quadro Clínico
Excesso de GH, quase sempre por adenoma hipofisário somatotrófico (a maioria macroadenomas ao diagnóstico), que atua elevando o IGF-1 hepático — o mediador dos efeitos periféricos. Antes do fechamento das epífises causa gigantismo; no adulto, acromegalia. Manifesta-se com crescimento de mãos/pés, prognatismo, alargamento de traços faciais, macroglossia, artropatia, síndrome do túnel do carpo, hiperidrose, apneia do sono, hipertensão, cardiomiopatia e diabetes, cursando com maior mortalidade cardiovascular. Há ainda maior risco de pólipos/câncer de cólon e de bócio/nódulos. Por efeito de massa: cefaleia e hemianopsia bitemporal (compressão do quiasma). Referência atual: 14º Consenso de Acromegalia (Pituitary Society, 2023).
Diagnóstico
- IGF-1 para idade/sexo é o exame de escolha (reflete a produção integrada de GH; o GH isolado é pulsátil e pouco confiável).
- Mudança recente (Consenso 2023): num paciente com fenótipo típico de acromegalia, IGF-1 > 1,3× o limite superior da normalidade (LSN) para a idade CONFIRMA o diagnóstico — não é obrigatório o TOTG.
- O GH aleatório (colhido em jejum) não é necessário para o diagnóstico: serve para informar o prognóstico e é útil nos casos equívocos.
- Casos equívocos (IGF-1 limítrofe ou fenótipo incerto): repetir o IGF-1 no mesmo ensaio validado e considerar o TOTG (75 g) — a hiperglicemia normalmente suprimiria o GH; sugere doença a falha de supressão do GH < 1,0 ng/mL (idealmente < 0,4 ng/mL com ensaios ultrassensíveis).
- Confirmado o excesso bioquímico → RM de sela com contraste para localizar o adenoma.
- Se a RM for normal com bioquímica positiva, considerar acromegalia ectópica (secreção de GHRH, ex.: tumor neuroendócrino) — dosar GHRH.
- Ao diagnóstico, avaliar função hipofisária global (hipopituitarismo por efeito de massa) e campimetria se macroadenoma.
Tratamento
- Cirurgia transesfenoidal é a 1ª linha (cura possível, sobretudo em microadenomas e macroadenomas não invasivos)
- Sem controle, opções medicamentosas:
- Análogos de somatostatina de 1ª geração (octreotida LAR / lanreotida) — reduzem GH/IGF-1 e o tamanho tumoral; efeitos adversos: colelitíase, intolerância GI, hiperglicemia
- Pasireotida (multirreceptor) — mais potente em casos resistentes, porém maior risco de hiperglicemia
- Pegvisomanto (antagonista do receptor de GH) quando o IGF-1 persiste alto — monitorar pelo IGF-1, não pelo GH (que sobe); vigiar enzimas hepáticas
- Cabergolina (agonista dopaminérgico) como adjuvante, útil em IGF-1 pouco elevado ou co-secreção de prolactina
- Radioterapia (estereotáxica) nos casos refratários à cirurgia e ao tratamento clínico
Metas e Seguimento
- Normalizar o IGF-1 para idade/sexo — é a meta principal de controle.
- O GH aleatório < 1,0 ng/mL apoia o controle e informa o prognóstico; o controle bioquímico reduz a mortalidade ao nível da população geral.
- Rastrear e tratar comorbidades: apneia do sono, diabetes, hipertensão, cardiomiopatia, artropatia e câncer de cólon (colonoscopia).
- Repor eixos hipofisários deficientes; acompanhar campo visual e RM.
Pontos-Chave
- O IGF-1 é o exame de escolha; no fenótipo típico, IGF-1 > 1,3× LSN confirma o diagnóstico (Consenso 2023) — o TOTG não é obrigatório.
- O GH/TOTG informa prognóstico e resolve casos equívocos, não é requisito diagnóstico.
- Confirmado o excesso, localizar por RM de sela; cirurgia transesfenoidal é a 1ª linha.
- No pegvisomanto, o seguimento é pelo IGF-1 (o GH não serve).
- A meta é normalizar o IGF-1, o que corrige o excesso de mortalidade.
Pontos-chave
- Excesso de GH, quase sempre por adenoma hipofisário; maior mortalidade cardiovascular
- Diagnóstico (Consenso 2023): no fenótipo típico, IGF-1 > 1,3× o LSN para a idade CONFIRMA — TOTG não é obrigatório
- GH aleatório/TOTG não é necessário ao diagnóstico: informa prognóstico e resolve casos equívocos
- Confirmado o excesso → RM de sela para localizar o adenoma
- Cirurgia transesfenoidal é a 1ª linha de tratamento
- Sem controle: análogos de somatostatina (octreotida/lanreotida) e pasireotida
- Pegvisomanto (antagonista do receptor de GH) quando o IGF-1 persiste alto; cabergolina adjuvante
- Radioterapia nos casos refratários
- Metas: normalizar IGF-1 (GH <1,0 ng/mL apoia); rastrear/tratar comorbidades (apneia, DM, HAS, cólon)
Resumo de estudo. Confira sempre o documento original antes de aplicar qualquer conduta.